segunda-feira, 24 de junho de 2019

PalavrArte - Festival Literário de Mirandela


Hei de falar do PalavrArte. Assim escrevi numa das minhas últimas publicações, no FB, sobre o Festival Literário de Mirandela, que decorreu de 04 a 09 de junho, no Parque do Império, sala de visitas por excelência da Princesa do Tua, promovido e organizado pelo Município de Mirandela.
Não se trata de um obrigação, antes de uma motivação intrínseca de quem, além de apontadora de palavras, sente um enorme orgulho da sua cidade-jardim e, sobretudo, das gentes que ousam ficar lutando pela dignidade de um interior, tão belo quanto desafiante, no quadro do futuro destes locais.
PalavrArte: a Palavra na Arte ou a Arte da Palavra; a palavra que se apalavra consigo mesma, que se compromete com o outro no estreitamento de laços entre as pessoas e na ação impulsionadora de bem-estar. E foi, antes de mais, a significância de cada atividade do diversificado cartaz do PalavrArte, que importa pautar este apontamento.
Balanceado pelos valores locais e nacionais, pela génese do conceito, traduzido no nome que se pretende alavancar, pela satisfação de diferentes apetites artísticos, pela importância concedida aos livros, através da Feira do Livro em permanência e, ainda, pela aposta na palavra dita e escrita de autores que palpam a alma transmontana, o PalavrArte, festival literário, foi um evento congregador, um alimento cultural, uma vivência de partilhas, uma consciência social, uma ronda de humanos gestos. O sorriso do nosso contentamento!
Princesa do Tua, Mirandela, afirma-se, assim, não como município que aposta na cultura (chavão que não aprecio especialmente), mas como município que aposta nas pessoas que precisam (e consomem) bens culturais. Eu, cujo blogue contém um erro ortográfico propositado, assumo esta visão, a da audácia, a da contra corrente, a da aposta em nichos de mercado fora do dito mainstream. Não se pode tomar como princípio único que as pessoas só veem o brilho de eventos-fogo-de-artifício. Há muitas em que o fogo-de-artifício estoira cá dentro. Invisivel e demoradamente.
Parabéns, Município de Mirandela. Parabéns a Nós, que somos PalavrArte! 
Odete Costa Ferreira, 20-06-2019
Devido a inúmeras tarefas e compromissos, só agora pude colocar as minhas palavras nas palavras do PalavrArte. Na impossibilidade de partilhar fotos representativas e vídeos de cada um dos momentos do festival literário, deixo apenas alguns links.

Programação diária e fotos de todas as sessões - Página do PalavrArte - Festival Literário de Mirandela 
https://www.facebook.com/palavrarte.mirandela/
Também na página da Academia de Letras de Trás-os-Montes
https://www.facebook.com/altmontes
E na minha página
https://www.facebook.com/odete.ferreira.50

Reportagens 
04-06 - Jimmy P https://www.facebook.com/braganca.localvisao/videos/511970976046470/UzpfSTEwMDAwMDMxNzUwOTY0ODoyNDM3MzQ5OTc5NjE4ODk1/
07-06 - Mário Augusto
https://www.facebook.com/braganca.localvisao/videos/390067751607454/UzpfSTEwMDAwMDMxNzUwOTY0ODoyNDMxODc0NzUzNDk5NzUx/
08-06 - Encontro/Debate Autores/Escritores Transmontanos
https://www.facebook.com/braganca.localvisao/videos/319669145615982/UzpfSTEwMDAwMDMxNzUwOTY0ODoyNDMyMDM2OTIwMTUwMjAx/
08-06 - 22:30 - Cabaresque Divine
https://www.facebook.com/braganca.localvisao/videos/311220266422352/UzpfSTEwMDAwMDMxNzUwOTY0ODoyNDM3MzYxOTAyOTUxMDM2/
09-06- 15H - Hernâni Carvalho
https://www.facebook.com/braganca.localvisao/videos/2390093841273845/UzpfSTEwMDAwMDMxNzUwOTY0ODoyNDM3MzYyNDQyOTUwOTgy/
09-06 - 18H - Pedro Lamares
https://www.facebook.com/braganca.localvisao/videos/580597932467353/UzpfSTEwMDAwMDMxNzUwOTY0ODoyNDM3MzYzMjU5NjE3NTY3/
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Por onde tenho andado...
http://altm-academiadeletrasdetrasosmontes.blogspot.com/

Um abraço a quem (ainda) tiver a paciência e amabilidade de passar por aqui.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Das rosas e da Paixão



Não são as rosas as flores da Paixão,
nem a sua cor é delas natural.
Abrem sorrisos e caminhos de amor.
Carrega volúpia, o perfume,
nos dedos que afagam pétalas
ou as desfolham em leitos brancos.
Coincide o seu esplendor com o tempo
da Paixão - a do Senhor dos Passos,
os passos da dolorosa subida…

Que digo eu das rosas, sacrílega?
Apenas esquissos, olhares de soslaio,
ignorando a base. E as hastes! E os espinhos!
A metáfora redonda
- não há rosas sem espinhos -
Os espinhos que Ele levava.
O sangue de vida - eterna -
O sentido do tempo da paixão…

Mas volto às minhas rosas.
E ao arco que as suporta.
E apreendo todo o tempo
- o da passagem -
e o da memória de todo o tempo-vida.

Odete Costa Ferreira 17-04-19
Direitos Reservados
Foto de Odete Costa Ferreira.


Agradeço, enternecida,  as visitas e o carinho manifestado nos comentários, que fazem o favor de deixar, apesar de não os poder retribuir por motivos ligados, essencialmente, ao cumprimento de funções na direção da Academia de Letras de Trás-os-Montes, como bem sabe quem que acompanha há algum tempo. Abraço-vos. 

sexta-feira, 8 de março de 2019





E todos os beijos que te pertencem

No centro, o arranjo floral.
E os teus gestos desprendidos
das horas longas do preparo,
só para veres os olhos dos convivas presos
naquele imenso sorriso de todo-o-terreno.

Nem sempre é assim.
Por vezes, não chegam os convivas,
apesar dos acenos pousados nas tuas pestanas
e das palavras que reinventas na linguística silenciosa,
entre a profusão dos deveres que te assacam.

Outras, não veem a beleza de cada flor e da cada pétala.
Nem a terra onde as raízes arquitetam as suas obras.
Que, mesmo não sendo primas, são arte que sustenta
cada madrugada, cada entardecer, cada mar, em teus olhos
e em toda a pele que te cobre exultante de cheiros e saberes.

Arranjo floral. E todos os beijos que te pertencem.

Odete Costa Ferreira, 06-03-19
Direitos Reservados
Arte de Di Cavalcanti

domingo, 17 de fevereiro de 2019




Mais um

Correm-me os dias como o sangue nas veias. Arrumo tarefas como se fossem atalhos de acesso ao cérebro e não há tempo para que o pensamento se conspurque com juízos menos valorativos sobre atitudes de outrem. Tenho, por princípio, a reserva ética e a profunda convicção de que não vale a pena, sobretudo quando o tempo apenas se subtrai. E urge fazer a equação da quantidade-qualidade-produto final. E, assim, adiciono ativos imateriais que não consubstanciarei em legado, apenas o induzo em quem me observa, vendo-me nos atos.
E chega mais um. A década já presenciou três. Releio o texto de então (16-02-2016 -http://portate-mal.blogspot.com/2016/02/entre-quem-e.html) para não cometer infidelidade, por omissão, à união de facto que celebrei no texto de então. Respiro, aliviada. Prometo(-me) confiar. Permito(-me) o poético e o prosaico, sendo que, num e noutro, o sublime é igualmente válido. E o choro e o riso são passos do mesmo caminho.

Odete Costa Ferreira, 16-02-2019
Publicado em 17-02-2019

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Daqui a nada…





Daqui a nada, a instantes mesmo, dada a pequenez da existência, dobra-se o ano, de forma perfeitamente objetiva sem qualquer interferência, nem mesmo a do senhor tempo, pois que este é, em simultâneo, dono e servo. E nós, apenas servos. É certo que temos o nosso momento de brilho: os rituais, os fogachos e outros artefactos. A futilidade útil, o brinde com espuma e sorriso. Mas apenas isto!

Neste postulado assenta a minha natural rejeição para fazer balanços, no que à postura e assunção de caminhos diz respeito. A conjugação das circunstâncias, dos espaços e das emoções, ditam-me o balanço necessário, em cada momento, ao longo dos dias do ano. As contas, essas, fazem-nas por nós; são números plasmados no deve e haver das folhas de excel, do extrato bancário ou simplesmente (e infelizmente) na troca direta entre as necessidades. Resta-nos a conta que temos connosco próprios: a de, em cada segmento temporal, extrairmos o saldo positivo de cada transação.
Assim sendo, com mais ou menos fogachos, que o sorriso se sobreponha ao choro e que o respeito pelo outro esteja na ordem do(s) dia(s)!

Odete Costa Ferreira, 30-12-2018
Direitos Reservados
Arte de Graça Morais, “O Segredo II”, 2008 (pintora nascida no concelho vizinho, Vila Flor, em Freixiel.) 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

És tu que me anuncias o natal




És tu que me anuncias o natal,
ainda que as palavras me cheguem
mais curvas e empalidecidas.
Talvez até medrosas. Se lá chegar;
Vêm cá este ano?
Não sei se as perguntas são mesmo perguntas,
que as respostas são cada vez mais incertas.
Mas, certo, certo, é o natal, mãe!
E as rabanadas que ainda fazes
bem molhadinhas em chá preto.
E somos dezembro, o mês inteiro.
Cordão umbilical que não se corta,
apenas se molda aos dias
em que és mais mãe e eu mais filha.
Por vezes, ausento-me e narro-te
em folhas que nascem de árvores.
Prefiro as outonais, caem mas são natal:
anunciação, advento, nascimento.
E somos gestação e parto. E dor,
quando os olhos não abrem sorrisos.
Nem ouso falar-te da orfandade fora de portas.
Dessa ainda posso cuidar. Mais tarde, quando vir
que o beijo te adormeceu o cansaço dos dias mais escuros.

Odete Costa Ferreira, 05-12-2018
Direitos Reservados
Arte de Christian Chloe

Com carinho, desejo aos meus amigos da blogosfera, uma excelente quadra natalícia.

(Aproveito também para, no meu espaço, divulgar o Prémio Literário da Lusofonia Prof. Doutor Adriano Moreira, deixando o link do regulamento, podendo ser este solicitado para o mail da Academia - http://altm-academiadeletrasdetrasosmontes.blogspot.com/2018/11/regulamento.html)