sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Hinos

Há um ano, em 17-02-2016 escrevi assim:

Entre quem é

Não Os senti chegar. É sempre assim. Nunca se anunciam. Também nunca Os toquei. Conheço-lhes as manhas, por isso já nem disfarçam uma pretensa capacidade de surpreender. De dez em dez anos, entram na História para poupar palavras e fôlego. Ao Homem, claro. Ao Universo, tanto faz. Pelo menos à ideia que dele tenho, tão relativa quanto ingénua. A minha filosofia, vulgo vida, não passa de um rabisco fácil de redesenhamento numa outra que virá. Por isso, só a mim (e a uns poucos) é que Eles têm sentido. Cada Um é narrativa de muitas narrativas. Com índices longos e vivazes. De dez em dez anos, também Os abrevio por décadas. Automaticamente. Mas, este ano, estou mais reflexiva e não me apetece abrir um novo índice sem lhe criar uma identidade. Até por causa das estatísticas. Como cidadã, tenho o dever de me preocupar. Qualquer dia, ao ouvir que uma sexagenária fez isto ou aquilo, estarei de consciência tranquila. Assumo o meu novo estado. União de facto. Com a década. Doravante, o caminho poderá ser ziguezagueante e convém estarmos unidas. Para o que der e vier.
Estou feliz. Ela também.
“Daqui a dez anos, renovaremos os votos”, dissemos.

E Eles, que nunca se anunciam e são, naturalmente, desapegados, sorriram. Pareceu-me mesmo que piscaram o olho à nova inquilina. Afinal, não havia tempo a perder. 

Odete Ferreira – 16-02-16
http://portate-mal.blogspot.pt/2016/02/entre-quem-e.html#comment-form

Hoje...
Ano Um
De facto, não havia tempo a perder. O que intuía (e a intuição não se explica) não se fez esperar e anunciou-se intenso e avassalador. Tomou-me o tempo e possuíram-me os espaços. Encheu-me a alma e cansou-me o corpo. Desarrumei e arrumei. Sosseguei e alvorotei.
E sorri! Tanto!
Fui dando notícias deste ano um da década dos sessenta. Quem me acompanha nestas partilhas, sabe do frenesim que o atravessou, sobretudo dos frémitos que me emocionaram. E sabe, também, do riso que me atoleima. Este ano um depois da década (em estado de união de facto com ela) foi e é o primeiro do resto da minha vida.
Afinal, não há tempo a perder…

Para o ano, cá estarei para o Ano Dois e depois do primeiro de vida do meu menino.
Agradeço a vossa carinhosa presença. Afinal, são parte dos meus frémitos. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Ainda agora era frémito


Obra de Christian Schloe

Ainda agora era frémito
e os contornos das coisas
possuíam-me por inteiro.

Tinha cor o beijo roubado,
de mansinho,
Tinha cheiro o gesto atrevido,
de pertinho.
E o frémito era arrepio.

Eram longos os momentos de presença,
vivazes as sombras de ausência.
No olhar, tudo a ser
a ficar, a de-morar
em mim.
E no banco do jardim,
pela tardinha.

Não fugia o tempo, nem o espaço.
Nem as coisas, nem as gentes.
Nem as encostas, nem as correntes.
Placidamente, acontecia,
entre frémitos de ousadia.

Quando, pela noitinha, dos contornos das coisas,
nada souber dizer,
sei, morreu-me o frémito. De saudade.

OF (Odete Ferreira) – 01-02-17

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

De leitura urgente


Sobre o acesso ao meu blogue, transcrevo a adenda que deixei ontem na postagem "E porque hoje é domingo"

1 - Já tinha percebido que algo não estaria bem. Transcrevo um esclarecimento que o amigo António do blogue "Existe Sempre Um Lugar" deixou no seu comentário a uma das minhas últimas partilhas: Boa tarde, após varias tentativas anteriores não consegui entrar nesta sua pagina, tinha sempre a indicação que a mesma tinha sido removida (...).

2 - . Em síntese, alerto: desde que tive a infeliz ideia de me ligar ao google mais (sugestão do próprio google), a minha foto identificativa inicial, o meu nome do blogue (EU) e o perfil desapareceram, ficando esta que aparece quando comento pelo pc; se alguém quiser comentar clicando na minha foto e nome (que passou a ser Odete Ferreira), vai dar ao google mais*, que é o que me acontece quando eu faço o mesmo; portanto, se eu não quiser percorrer este caminho, comento pela lista de blogues que tenho adicionada no meu blogue e só pelo pc.

3 - Como, ultimamente, uso mais o smartphone, tendo, para tal, adicionado os blogues aos favoritos, aparece apenas Odete Ferreira. Ora, se se clicar em cima do nome, vai parar a um perfil que nada diz e que não tem o link para o blogue. Não percebo porquê. Portanto, se alguém pretender vir ao meu blogue, clicando num comentário que tenha feito pelo smartphone, não o conseguirá.

4 - Solicito, pois,  a todos os que não me tenham encontrado que me visitem através do link que tenham adicionado nos vossos blogues ou seja
http://portate-mal.blogspot.pt/

5- Por último, solicitava aos amigos que têm vindo visitar-me com assiduidade (e se assim o entenderem) que me dissessem como chegam até aqui.

* Já pensei em sair do google mais (até porque nem o sei utilizar) mas como os meus conhecimentos tecnológicos são escassos, receio que me percam de vez!!!

Obrigada pela vossa colaboração

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

E porque hoje é domingo

Num impulso, mudei de lugar. O sol também deve ser assim. De impulsos. Ou zeloso. Certamente precisariam dele noutras paragens. A verdade é que, hoje, cedeu o lugar à chuva. Miudinha mas persistente. Assim fossem dotados os cata-ventos. De persistência, mas não é essa a sua natureza. E cedem aos ventos caprichosos, se bem que o mundo não devesse andar assim, numa constante reviravolta. Bem sei que há reviravoltas boas. Geralmente, são apenas de 90 graus e não provocam dores e cabeça. Imagine-se a cabeça a dar uma volta de 360 graus! Só andei uma vez na montanha russa, mas lembro-me bem da sensação (porque raio se chamará assim? Russa? Se fosse espanhola ainda se percebia. Pela proximidade! De Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos. Bem, também nem sempre é assim. Em frente, que vem lá gente…).
Dizia eu. Russa? Pensando bem, quem inventou o nome devia ter estado neste tempo e soube desta reviravolta (aquela de que mais se fala, aquela que nos põe os olhos em bico e os cabelos em pé). Que valentes dores de cabeça! E parece não haver outro remédio que não aguentá-las. Enquanto não houver um laboratório (isento, de preferência) que pesquise a forma de inibir esta espécie de vírus muito antes de chegar a adulto, escrevinho. Remédio santo, diz-se. Pelo menos por agora.
Quando, num impulso, mudei de lugar, antes de chegar o café miraculoso, apenas pretendia outro ângulo de visão. Ver diferente, olhar noutra direção. Mas, o que esta mera mudança de atitude provocou, foi uma contemplação, uma revisitação a uma delimitada época da juventude. Percorri a casa que se impôs ao olhar, por dentro. Com as amigas que lá moravam. Mais os irmãos. Mais as coisas! E as conversas que nos fizeram mais senhoras do (nosso) nariz…
E porque hoje é domingo os saltos temporais parecem de trampolim. Bolas, parece que estou num parque de diversões. Agora são os trapézios a insinuarem-se. Das duas uma. Ou o corpo pede exercício físico, ou a mente se compraz neste exercício de tonificar ideias…
É que ontem, até o choro do Ivo saía forte, pujante, expressivo, comunicativo. E guardei-o. Tal como os outros sinais…
Quase a pousar a caneta e a luz solar a sorrir à miúda chuva. Que momento(s)!

Odete Ferreira – 29-01-17, 12:30; num café da minha cidade
Texto não editado (tal como as imagens que se recolhem ao correr da câmara)

Adenda em 6 de fevereiro: 
1 - Já tinha percebido que algo não estaria bem. Transcrevo um esclarecimento que o amigo António do blogue "Existe Sempre Um Lugar" deixou no seu comentário a uma das minhas últimas partilhas: Boa tarde, após varias tentativas anteriores não consegui entrar nesta sua pagina, tinha sempre a indicação que a mesma tinha sido removida (...).
2 - . Em síntese, alerto: desde que tive a infeliz ideia de me ligar ao google mais (sugestão do próprio google), a minha foto identificativa inicial, o meu nome do blogue (EU) e o perfil desapareceram, ficando esta que aparece quando comento pelo pc; se alguém quiser comentar clicando na minha foto e nome (que passou a ser Odete Ferreira), vai dar ao google mais, que é o que me acontece quando eu faço o mesmo; portanto, se eu não quiser percorrer este caminho, comento pela lista de blogues que tenho adicionada no meu blogue e só pelo pc.
3 - Como, ultimamente, uso mais o smartphone, tendo, para tal, adicionado os blogues aos favoritos, aparece apenas Odete Ferreira. Ora, se se clicar em cima do nome, vai parar a um perfil que nada diz. e que não tem o link para o blogue. Não percebo porquê. Portanto, se alguém pretender vir ao meu blogue, clicando num comentário que tenha feito pelo smartphone, não o conseguirá.
4 - Solicito, pois,  a todos os que não me tenham encontrado que me visitem através do link que tenham adicionado nos vossos blogues. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O riso que me atoleima

 Obra de Richard S. Johnson

Encontro-me no desalinhamento do traçado preciso,
feito no útero da minha mãe.
Nunca soube orar-te como devia,
mãe, até ao momento em que,
pelo riso que me atoleima
toquei milagres de vida.

E não sei dizer de outro modo,
nem me seduzem metáforas
ou o manejo de poéticas palavras.
Basta-me este encontro de risos,
este enlevo de monte a beijar o azul,
esta leveza de asas seguindo voos puros,
este ser que me ri e fala
com olhar de promessas.

Quando me dizem que passei e não vi,
sei que foi no traçado preciso que me perdi.

De repente, todos os risos me são líquidos.
Com brechas para vales uterinos.


OF (Odete Ferreira) – 18-01-17

(Relativamente à última partilha, o poema "Insigne momento", de 13 de janeiro: reitero o meu agradecimento a quem celebrou comigo este momento; tentei, o mais possível, colocar em palavras o que senti no momento em que vi e tive o Ivo nos braços.)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Insigne momento

(Foto já publicada na postagem anterior)

Era sussurro o canto do embalo,
o toque, névoa trémula
abençoando sequioso momento.
Ternura toda encorpada
nos olhos de faminto desejo.

Meu ensejo, meu beijo…

Rostinho cosido na minha pele,
agora, água do teu cheiro,
agasalho do teu corpinho,
olhar do teu chamamento.

Meu riso, meu desatino…

Tontice, paixão reacendida,
sentir empossado nos braços,
emoção escorrida no abraço,
desmesuramento gratificado.

Meu amor, meu menino…

Rio de gotas de oiro,
derramadas no corpo, por inteiro.
Eternidade retida no momento,
tu, presente e tempo,
sopro de todo o enchimento,
lume a atiçar a fogueira,
de dentro.

Meu amor, meu ser pequenino, meu perfeito amor.
Imperfeito, foi todo o amor de antes.
A luz, pálida, antes da tua chegada.

OF (Odete Ferreira) – 09-01-17


Fotos de Rui Simão: no Centro Materno Infantil do Porto, o Ivo com 3 horas de vida.

Nota breve: desde o início, assumi o caráter pessoal como marca identificativa neste espaço. A par do puro ato criativo em prosa ou poesia, os momentos mais significativos da minha vida estão por aqui, projetados em relatos em que o Eu ora se assume explícito, ora se camufla num Ela. Pretendo, com esta nota breve, deixar expressa a minha gratidão a quem tem seguido os meus singelos escritos, dando-me especial prazer a presença naqueles em que o EU pessoa partilha momentos únicos, como tem sido o caso de imensas partilhas dos últimos tempos.