domingo, 16 de setembro de 2012

Vejo e descrevo(-me)...



Cercanias esbatidas nos recortes de árvores imponentes, um tufo espesso, guardião de um espaço de lazer, pouco aproveitado pelos idosos residentes numa IPSS e nos vermelhos dos telhados ainda novos das urbanizações de vivendas apetecidas…
A neblina que deixa espaço à imaginação como véu que tapa o rosto de mulheres de sedução nascidas, amputadas em nome da tradição…
Os raios solares que aí repousam, filtrados por um céu nublado que se solidariza com o movimento de cidadania em que, ontem, todos nós estivemos em corpo ou espírito…
Um eu que se esforça por pintar em palavras este cenário de um domingo ainda acalorado, dirigidas a ti, leitor, que já não tens paciência para ouvir mais do mesmo em eternos debates sobre o estado da nação…
Aqui estou. Mente fervilhante de pensamentos que me alimentam. Alma embevecida em sentires enamorados. Imagens que retenho na câmara do meu olhar.
Paz interior. Natureza de dádiva. Último domingo antes de recomeço de mais um ano letivo. Talvez inicie o reencontro com a turma do ano passado e o encontro com a nova que recebo, com este apontamento. Quero-me serena. Quero-os serenos mas agitados de curiosidade.
Ansiosa? De maneira nenhuma. São crianças que me esperam e, sei, em mim depositam o alimento que saberei dar-lhes nos momentos certos.
Aqui estou. Sentada, alindada por um brilho cuja fonte desconheço. Não questiono. Quero fazer nascer os filhos que sairão dos saberes intrínsecos que se foram gerando nas mentes imberbes em salas de aula. Quero gente de palmo e meio pensante.
Aqui estou. Amanhã, é o meu presente e o seu futuro é hoje…

Odete Ferreira - 16-09-2012
 Foto – Carlos Alvarenga

sábado, 15 de setembro de 2012

Tempo de alerta...

Passei algum do meu precioso tempo a ver. É um vídeo longo...Pensava que era uma pessoa informada mas, com os tempos que correm e a ter necessidade de ler informação não veiculado pelos meios de comunicação, sobretudo em documentários, só posso afirmar. Há sempre um outro lado das coisas. Há sempre forma de nos formatarem para um único caminho. Tempo de alerta! Depois de verem, nem que seja por partes, terão o vosso campo de análise mais alargado...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Reciclar afetos



Nunca o vira assim. Prostrado. Os sulcos da terra pareciam ter alugado o espaço do seu rosto. Percorreu-os como se o ato de alisamento desfizessem, milagrosamente, todo um estado de angústia, de incerteza, de desânimo. Afagou-lhe o rosto que procurava alívio no seu regaço. Um regaço desnudado, de dádiva contornado, de apaziguamento procurado. Também de prazer nos momentos de toques sedutores…
Mas hoje, hoje o seu amor precisava de outros toques. De magia… Cerrou-lhe docemente os olhos, pronunciou as palavras de reza, a oração que os unia para lá da realidade, tocando um céu sempre limpo de nuvens cinzentas. E era nesse lugar que renovavam os seus votos secretos.
- Querido, temos tanta coisa nossa. Se não conseguires colocação, reciclamos o jardim. Congelamos as flores na alma e outras sementes alimentarão o corpo. Isso! Tornamo-nos vegetarianos…
Calou-se. Apesar de salgada, a água que brotava da sua fonte cristalina, inundando os regos lavrados, eram prenúncio de assentimento, de aceitação.
Sorriu, imaginando-se, como uma espécie de preparação mental, já na nova vida reciclada pela força do afeto, amarfanhando a crise que assaltava sem dó nem piedade os mais vulneráveis. Acreditava, sobretudo, na capacidade regeneradora do ser humano.
Reclinou-se. Apertou, carinhosamente, umas mãos esguias, entrelaçando dedos de ternura. Afinal, o seu bem maior estava ali…

Odete Ferreira - 09-09-2012 - Foto – Autor desconhecido

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Ainda nas férias...

Achei curiosa esta homenagem. Partilho-a...




Fotos:
Odete Ferreira,
Praia do Inglês,
Gran Canaria
       






Receitas de sedução...

O seguinte blogue fala por si. O nome é apelativo e o conteúdo uma delícia. Receitas simples, facilidade de execução e envoltas num perfume de sabores. Deixo-vos o link. Se alguém experimentar alguma delas, me conhecer e morar perto eu estou aberta a provar o petisco. Só de ler fico com água na boca mas não gosto muito de cozinhar...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Amar o teu corpo de água



Este quase silêncio de vozes.
Este marujar estonteante,
cadenciado,
imperturbável,
nos sentidos penetrante,
apetecido,
quase lascivo
nos sonhos fugidio…
Beijos de espuma
salgada,
amar o teu corpo de água,
sentir tuas ondas de carícia,
suaves mãos de perfídia,
espelho sedutor
em que miro meu corpo, amor!

Suavemente
bebo a tua cor.
Embriago-me
de teu odor.
Entrego-me,
perdidamente,
ao prazer…
De te olhar no infinito.

OF 13-08-12 
Foto-Odete Ferreira