Cercanias
esbatidas nos recortes de árvores imponentes, um tufo espesso, guardião de um
espaço de lazer, pouco aproveitado pelos idosos residentes numa IPSS e nos
vermelhos dos telhados ainda novos das urbanizações de vivendas apetecidas…
A
neblina que deixa espaço à imaginação como véu que tapa o rosto de mulheres de
sedução nascidas, amputadas em nome da tradição…
Os
raios solares que aí repousam, filtrados por um céu nublado que se solidariza
com o movimento de cidadania em que, ontem, todos nós estivemos em corpo ou
espírito…
Um
eu que se esforça por pintar em palavras este cenário de um domingo ainda
acalorado, dirigidas a ti, leitor, que já não tens paciência para ouvir mais do
mesmo em eternos debates sobre o estado da nação…
Aqui
estou. Mente fervilhante de pensamentos que me alimentam. Alma embevecida em
sentires enamorados. Imagens que retenho na câmara do meu olhar.
Paz
interior. Natureza de dádiva. Último domingo antes de recomeço de mais um ano
letivo. Talvez inicie o reencontro com a turma do ano passado e o encontro com
a nova que recebo, com este apontamento. Quero-me serena. Quero-os serenos mas
agitados de curiosidade.
Ansiosa?
De maneira nenhuma. São crianças que me esperam e, sei, em mim depositam o
alimento que saberei dar-lhes nos momentos certos.
Aqui
estou. Sentada, alindada por um brilho cuja fonte desconheço. Não questiono.
Quero fazer nascer os filhos que sairão dos saberes intrínsecos que se foram
gerando nas mentes imberbes em salas de aula. Quero gente de palmo e meio
pensante.
Aqui
estou. Amanhã, é o meu presente e o seu futuro é hoje…
Odete
Ferreira - 16-09-2012
Foto – Carlos
Alvarenga




