sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Lá fora a Natureza chora



A Natureza chora
em exorcismos coletivos.
Derrama águas bentas
aspergidas,
em almas
e mentes abertas.

As outras, encerradas
em espaços iluminados
de luz artificial
parecem felizes…
contemplam prateleiras
cheias de obesidades,
inúteis.
Duram mais que tempo
que partos difíceis
a esvaziar-se
de filhos apátridas.

Publicidade dominadora,
enriquecida de sentidos.
Subjugam qualquer pessoa.

Avisto-as…
com listas de compras.
Depressa esquecem
ao que vinham…
Olhos sonhadores
Poisam…
Nos bens,
almejados em sonhos.

Frenesim
de mãos e sacos,
queixosos,
de pesados.
Centro comercial, é assim!

Lá fora, a Natureza chora!
Aguarda, pacientemente,
alguém, de chuva carente…

OF 13-02-2011 
Foto Carlos Alvarenga 
(Nota: os poemas que vou divulgando não obedecem a uma ordem cronológica.)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Scorpions - Wind Of Change (Moment Of Glory)

Porque sinto esta noite de forma especial...
Porque hoje na rádio do "Horizontes de Poesia", o Joaquim Sustelo declamou o meu poema "Pela calada da noite", passando também esta canção...

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Tuitando...

Pois, aulas em força, vários espaços poéticos que aguardam a minha visita, umas notícias (minhas) que aguardam, pacientemente, a vez de se verem divulgadas e eu "calma, se deixares o mundo dos vivos, ninguém morre por esse motivo"...

É que hoje descobri que tinha uma aluna, cuja jovem mãe já o foi também. Havia uma enorme cumplicidade, sabíamos que nos estimávamos mutuamente... Depois de ter ficado " um tantinho" aborrecida com uns mafarricos, rápido esqueci e aquele orgulho pelos filhos adotivos foi o meu natural remédio para me sentir tão bem!!!

 (Vou descansar. Não tenho tempo para uma imagem. Como há sempre um anjo que me vela - acho que não dormem ou apenas dormitam - talvez apareça uma bem ilustrativa...)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Loucura em estado pensante...



Hoje enfermo de uma loucura perigosa. Tal como o tempo. Choveu, faz sol e venta. Há lá bipolaridade mais completa! Como já não há hospícios na sua pureza do termo, posso deambular pelos vários espaços despercebida. Afinal há cada vez mais pessoas doentes que sãs. Estas são hoje a anormalidade. Gosto da minha loucura!

(Assim, sim; escrevi pouco mas muito, muito profundo...)

Odete Ferreira
23-09-12 - 13:15, algures num café da cidade...
Foto – Autor desconhecido

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Agosto de abalada



Retomam-se rotinas
em estado de espírito contraditório.
Um desejo de alinhado procedimento,
a saudade do sonhador pensamento
libertário, caçador de almas peregrinas.

Uma estranha quietude
ausência de pessoas soltas
carros rolam preguiçosos
pregão de um verão
anúncio marcado no rosto
final de mais um agosto.
O espírito do emigrante
foi-se como mala despachada
estrangulada num qualquer porão.
Dentro seguem os sonhos,
cozinhados no negro carvão
enquanto se viram os grelhados
(bem condimentados)
num aconchego de mão.
Especiaria rainha.
Sedução!

OF 27-08-12
Foto – Autor desconhecido

domingo, 16 de setembro de 2012

Vejo e descrevo(-me)...



Cercanias esbatidas nos recortes de árvores imponentes, um tufo espesso, guardião de um espaço de lazer, pouco aproveitado pelos idosos residentes numa IPSS e nos vermelhos dos telhados ainda novos das urbanizações de vivendas apetecidas…
A neblina que deixa espaço à imaginação como véu que tapa o rosto de mulheres de sedução nascidas, amputadas em nome da tradição…
Os raios solares que aí repousam, filtrados por um céu nublado que se solidariza com o movimento de cidadania em que, ontem, todos nós estivemos em corpo ou espírito…
Um eu que se esforça por pintar em palavras este cenário de um domingo ainda acalorado, dirigidas a ti, leitor, que já não tens paciência para ouvir mais do mesmo em eternos debates sobre o estado da nação…
Aqui estou. Mente fervilhante de pensamentos que me alimentam. Alma embevecida em sentires enamorados. Imagens que retenho na câmara do meu olhar.
Paz interior. Natureza de dádiva. Último domingo antes de recomeço de mais um ano letivo. Talvez inicie o reencontro com a turma do ano passado e o encontro com a nova que recebo, com este apontamento. Quero-me serena. Quero-os serenos mas agitados de curiosidade.
Ansiosa? De maneira nenhuma. São crianças que me esperam e, sei, em mim depositam o alimento que saberei dar-lhes nos momentos certos.
Aqui estou. Sentada, alindada por um brilho cuja fonte desconheço. Não questiono. Quero fazer nascer os filhos que sairão dos saberes intrínsecos que se foram gerando nas mentes imberbes em salas de aula. Quero gente de palmo e meio pensante.
Aqui estou. Amanhã, é o meu presente e o seu futuro é hoje…

Odete Ferreira - 16-09-2012
 Foto – Carlos Alvarenga