Estão
a ver? Uma nave central com semelhanças a naves espaciais de filmes ou séries
de ficção científica, ou , descendo mais à terra, uma nave daquelas que estão
coladas na retina, que se postam em lugares estapafúrdios para criar um centro
de exposições?
Pois
se já estão no meu imaginário, sigam-me até ao interior. Uma piscina coberta.
Espaço de cheiros característicos. Não aquele que se infiltra quando um rio nos
oferece em múltiplos frasquinhos de amostras os seus cheiros: o das rãs que coaxam, a erva sempre lavada, tapete verde e escorregadio, trampolim para um
mergulho descuidado, os jogos enlameados… Também não aquele que se aspira sofregamente nos precisos instantes em que o rebentamento trovejante da onda
embate nos rochedos ou o que se solta da espuma que beija, já repousado, a
areia, companheira inseparável de um mar, cujo cheiro a maresia, nos vicia
levando-nos a tomá-lo como eterno enamorado…
Ah,
a piscina! Houve tempos em que esbracejei nas águas desinfetadas, inspirando
aquele cheiro irritante, vingando-me no desafio que a mim me impunha: diminuir
o tempo de travessia, aumentando o ritmo da braçada, contando mentalmente o seu
número, criando um falso público de aplauso de conveniência.
Bravo,
bravo! Bis, bis! Estava num palco de água, atores, figurantes, público, jogavam
o perigoso jogo de personagens irreais. Disformes. Os magros pareciam gordos.
Os gordos, manchas incaracterísticas. Teatro grego, no seu limite…
E
o ritmo aumentava. Batuques sem pessoas e instrumentos. Uma mente apenas
alienada.
…
Cansei-me.
Desisti. Deixei as águas saudosas de mentes libertárias.
Um
dia talvez volte…
Odete
Ferreira --16 -12-2012