Blog de carácter pessoal, com predominância de textos em prosa e poesia. Ocasionalmente, de reflexão...
domingo, 2 de junho de 2013
Surreal XXIV
Foi assim, à minha maneira, que falei do que quero para as crianças do hoje e do amanhã. Assim como não quero que o direito a ser criança seja sonegado ao adulto que se preze...
sábado, 25 de maio de 2013
Sentires de quinta essência
Em
bosques misteriosos
busco
a serenidade,
a
transcendência de mim,
a
essência da pureza,
a
eternidade de seres míticos,
o
deslumbramento da perenidade,
ciclos
da natureza saudosos
escorrendo
sentires…
Sentir
o sol lavando o rosto,
a
brisa despenteando o cabelo revolto,
esventrar
a minha interioridade
depurando
a alma de ciscos.
Olhar
as águas de um rio calmo,
percecionar
os dedos inscritos
na
magia das palavras
e
com ela fazer os poemas de momentos…
Caminhar
nos cheiros da natureza,
seduzir-te
no entardecer perfumado…
São
dias de encantamento
e
noites de frémitos ternurentos…
São
sabores antecipados
de
reencontros sumarentos…
Espero-te.
Sinto-me. Adormeço
na
felicidade de teus abraços sonhados.
OF
19-04-2013
Foto – Autor desconhecido
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Processando dados...
Já
não é só o tempo, o tempo de espera, o tempo de reflexão que é bom conselheiro.
Esta linha, digamos, temporal, apenas acrescenta dados, circunstâncias que se
vão encaixando como peças de lego, parecendo que o conselho se materializa, tornando-o
clarividente. É o conselho que se personifica e nos fala. Normal, portanto, ser
tão comum dizermos que o tempo é bom conselheiro.
Hoje,
especialmente hoje, em que a reflexão, o questionamento me tomou, priorizo
outro axioma: o da idade; esta que decorre naturalmente do tempo que passa, desenvolve-se na interioridade de cada um de forma diferenciada.
A dita maturidade é processo que se amassou, levedou e cozeu no forno mental
sendo que, cada fornada que se exterioriza, é sempre diferente. Só podia, pois
a representação da nossa pessoa a nossos olhos e no julgamento dos outros vai
mudando. Processo mutável, dinâmico, rico, na medida em que acumulamos a
riqueza do conhecimento. Perigoso também, na medida em que a exigência é um condimento
que nem todos veem de bom grado. Apesar de já não gostar de estar em
manifestações exteriores de massas, a massa cinzenta é muito mais cáustica,
acutilante, emocional, logo mais mortal. As palavras deixaram de ter medo de
ser pronunciadas, seja qual for o espaço, o tempo, o interlocutor. Mesmo que no
palco apenas seja a única personagem!
Faz-me
falta falar, comunicar. Verbalizar. No entanto, cada vez mais, aprecio os meus
diálogos. Os que travo com pessoas interessantes, os que invento com pessoas ausentes,
os que (dis)correm dentro de mim como
rio sem mar onde desaguar…
sexta-feira, 17 de maio de 2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Ainda estou por aqui...
Sim, não deixo este meu cantinho. Apenas o deixo arejar, de vez em quando... Sobretudo quando tenho a secretária ocupada com fichas de avaliação para corrigir. Apesar de estar acometida de (mais) uma rinite alérgica, o serão rendeu. Deixo um bjinho a quem vem saber da EU... :)
domingo, 5 de maio de 2013
Mãe, hoje escrevo o poema da nossa vida
Nunca
te escrevi,
mas
recordo…
Sentada
na soleira da porta,
em
dias de estio, sufocantes
dando
pontos na roupa
–
que bem ficava –
unindo
pontos de sonhos
que
sonhavas
no
silêncio dessas tardes.
Chegava
da escola,
cheirava
a requeijão.
Comias,
deliciada.
Meu
irmão acompanhava
mas
eu detestava.
Nunca
te escrevi,
mas
recordo…
Encurvada
no chão que esfregavas,
limpo
de nódoas, cheirando a rosas.
Acocorada
no lavadouro
improvisado.
Pedras
irregulares de um rio juncado
salteado
de águas estagnadas,
insalubre.
Mosquitada
que
sacudias das faces cansadas.
Roupa
alva que eu espalhava
pelos
jogos de formas ovaladas.
Em
fantasia era personagem heroína.
Ali,
era já mulher menina.
Nunca
te escrevi,
mas
recordo…
a
mulher de força anímica,
na
arena da vida lutadora,
a
mãe de coração aberto
que
cedia, a meu pedido,
a
malga de caldo à amiga
da
escola. Na sacola pão,
queijo
e azeitonas. O caldo
aquecia-lhe
o magro coração.
Nunca
te escrevi,
mas
recordo…
A
funcionária zelosa,
a
vizinha prestimosa,
o
olhar expressivo,
o
cabelo em carrapito,
a
roupa sedutora
a
atitude generosa,
o
sorriso acolhedor
num
sentir sofredor.
Hoje
escrevo
o
que és, mãe!
A
casa do teu ser,
o
sol de cada amanhecer,
o
legado de um passado,
o
presente, em mim, incrustado…
OF - Foto Odete Ferreira
Poema incluído na Coletânea Mãe 2013
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