terça-feira, 13 de agosto de 2013

O aprendiz de palavras



“Estou apaixonado” – gritava a plenos pulmões o jovem sentado em pedra de xisto afunilando o sopro com as mãos, em côncavo ângulo, tal como fazia em menino, quando interrogava sobre o seu destino os montes que lhe sorriam ao vê-lo chegar, cantarolando canções por inventar.
“Estou…ou…ou apaixonado…ado…ado”, devolvia o eco que lhe beijava os ouvidos, afagando-os, retendo esse som como se estivera num daqueles concertos que via anunciados na televisão e, não podendo assistir, decorava o anúncio, reproduzindo-o mentalmente ou declamando-o para o rebanho que, por vezes, apascentava em dias que a escola lhe dava folga.
Do grito e do eco fez parceria, um dueto – aprendera nas aulas de educação musical – e, pouco a pouco, fazia nascer em ritmo rap rimas das palavras que, fazia questão, de aprender e apreender o sentido em cada dia da sua vida. Era um objetivo que cumpria escrupulosamente, elegendo como interesse primordial esse jogo, apesar de condescender ao grupo de colegas e amigos que o acotevelavam e lhe diziam “Vamos, o campo da bola está livre…”.
Saía, então, do único espaço em que era ele apenas e as palavras, o mundo encantado que lhe provocava arrepios de prazer. “Ainda me hei de vingar, seus desmancha prazeres. Um dia começarei a escrever as palavras nas folhas que restarem dos cadernos. Hei de brincar com elas. Quando estiverem suficientemente maduras, como os frutos a desprender-se da mãe árvore, colho-as e faço poemas em forma de bola. Preencho todo o campo e sereis obrigados a entrar no jogo das palavras”. Ria-se baixinho, antecipando um cenário do filme que havia de ser a sua vida.
(...)
Os outros? Achavam que ele, nesses momentos, estava a ter um ataque invisível. Mas ele era imprescindível no jogo! Tornava-o mágico. Ganhavam sempre. E sem saberem porquê viam nele uma espécie de profeta.
(…)

Odete Ferreira, 13-01-13
Foto – Odete Ferreira

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Soneto de mim



Se eu quisesse sentir-te na clareira,
desnudada em noite de lua cheia,
viria apetitosa à tua beira
e dizia-te o que escrevi na areia.

Se eu te pedisse que me amasses,
com toques de seda do oriente
e no desaguar do teu mar me deixasses,
viria alada em sela imponente.

Soltaria os cabelos entrançados,
enfeitava-os de amoras silvestres,
aspergia-me com água de rosas.

Se sinto teus lábios adocicados,
repelo a saudade destes sentires
e represo nossas bocas desejosas.
OF, 10-06-13 
Foto – Autor desconhecido

quarta-feira, 24 de julho de 2013

À Conversa com Odete Ferreira...

... Já se vê, pelo título, que andei no arejo, embora já tenham decorridos alguns dias (entretanto havia trabalho e era preciso recuperar a folga...).  À  Conversa com Odete Ferreira, atividade que fez parte da Semana Aberta do Agrupamento de Cristelo, no dia 12 de julho, foi mais um dos meus momentos de encantamento. Entre os alunos de diversos níveis e colegas, gerou-se uma assinalável empatia. Verdade que a conversa foi solta, decorrendo à medida dos desafios que foram surgindo... 
OBRIGADA pelo convite e PARABÉNS a um auditório (alunos e professores) atento, interessado e com intervenções que não esquecerei. Prometi um poema. Fi-lo passados dois dias. Partilho-o convosco, assim como algumas fotos. A amiga que me endereçou o convite, esmerou-se na reportagem fotográfica mas tenho sempre algum cuidado na divulgação de fotos para as quais não me foi possível solicitar autorização... 



À Conversa com…
Título em Semana Aberta. 
Espaços que se enfeitam. 
Gaiatos sorridentes 
do verde que os acolhe 
no exterior plantado de esperança…

No interior, flores envasadas
em conversas despreocupadas.
Corredores confidentes
de (des)amores imberbes
(ou assolapados nos
passos descompassados,
nas batidas do coração,
nas bandas de eleição,
nas palavras gravadas
no vagar das horas apressadas).
Acontece-me emoção
em espaços assim…
Vagueio pela visual sensação
do ataviado jardim…

Depois…Basta partir à descoberta,
enxergar a marca indelével da escola.
Apurar o sentido, ainda adormecido.
Incorporar o humano calor
…desentorpecedor
em espaços de leituras,
em salas temáticas,
em auditório acolhedor…
…onde a partilha acontece
entre escrevinhadora e o presente
de alunos de hoje e docentes adivinhadores
do futuro que há de vir…

E o brilho foi poesia
fazendo sentir vida
em prosaicos elementos,
em mentais sugestões
e breves dissertações…

Aconteceu magia
e voámos nas asas da fantasia…

Odete Ferreira
Agrupamento de Escolas de Cristelo, 12-07-2013
(Prometi um poema. É vosso!)

domingo, 14 de julho de 2013

O tempo é o tempo que sinto em ti



 Há muito que que não penso no tempo
corre voluptuoso nas veias pulsantes
mergulha no rio de peixes brilhantes
adentra-se no meu olhar desatento.
 
Soltei as amarras do meu peito
fiz dele meu barco de recreio
cruzei mares sem rumo, a eito
teus remos me guiaram, creio.
 
E nesta crença de tua presença em mim,
o tempo é o tempo que sinto em ti.
A quietude deste doce enamoramento
que paralisa a pedra onde me sento,
é tempo de um hoje.
Sem saudade,
Sem lamento.

OF, 12-05-13
Foto – Autor desconhecido

sábado, 6 de julho de 2013

ECUADOR ANDES PASTOR SOLITARIO

Hoje deixo-vos com o meu sentir...
(Espero, em breve, regularizar as minhas visitas a muitos cantinhos...)