Chega-me
o cansaço do vazio espaço.
Por
algum tempo, o olhar ficará inquieto,
vagabundo
do pátio, sem o abrigo da casa-jardim.
É a
nostalgia dos gestos matinais
e do
bom dia que o café não exalará,
no
alpendre dos pensamentos veraneantes.
Suspira-me
a alma, numa confidência muda,
a
amarelecer as hastes do tempo verde.
Bem sei
que é sinal da mudança da hora,
do
fechamento do sol à intrepidez dos dias,
do
recolhimento das horas largas de sol.
Por
algum tempo, nada saberei do amor
jurado
nos braços nus das esplanadas.
É o
mistério a pulsar o passo que traço
e
repasso em nova geometria,
inversa
à nitidez das coisas,
um quase
lusco-fusco da claridade.
É
preciso ir para lá do jardim, passar o muro,
rebaixar
a altura para apanhar o colorido
que se
oferece numa profusão de tintos
que não
sei manejar; sei, apenas, retirar a essência,
o pó
que realçará as tuas maçãs do rosto, mãe.
Por
algum tempo, será outono. Mas, em ti, não.
Odete
Costa Ferreira, 27-09-17
Obra de
Olga Blinder







