O nosso último abraço - 5.º Aniversário da Hora da Poesia em outubro de 2016, programa de Conceição Lima, na Rádio Vizela.
Na
imensidão da festa da poesia, esperei pelo nosso momento. Disseste, depois do
imenso abraço, isto anda para aqui tudo descontrolado, eu é que finjo que não é
nada. Também nós fingimos, nestes últimos tempos, que não chegaria o dia da
partida física. Uns, porque mais próximos geograficamente, talvez tenham
conseguido domesticar a falta, mas eu, e tantos outros, que vivemos mais
distantes, permanecemos num puro egoísmo, não querendo acreditar que a tua
fonte de afetos pudesse ser finita!
Faltar-me-ão
novos abraços, novas palavras, novas flores… E, desta falta, só o tempo será
alimento. Agora é dor, é luto. E sei que é preciso fazê-lo. Revisito-te, e
revisitar-te-ei, nas palavras que escreveste e nos registos de momentos em que
me permitiste entrar na tua casa-coração. Estarás sempre no meu, Alice, até que
dele eu tenha consciência. Não sei que perfume era o teu, mas bastou um leve
odor para que dele ficasse impregnada para sempre.
Saudade eterna, amiga!
A Alice e o seu eterno companheiro, Rogério Barbosa, fizeram questão de estar comigo (abril de 2015) no programa da Conceição Lima, Hora da Poesia, perfumando-me/nos... Nas mãos da Alice, nasciam flores. Por isso, o seu livro só poderia ter um nome: Jardim de afetos
Odete
Costa Ferreira, 03-01-18
(Alice Queiroz: 12-04-1942
– 01-01-2018)






