- Pode-se amar em silêncio?
- Pode.
- Pode-se amar com silêncios?.
- Não, não pode…
É esse o drama. Na primeira pergunta pode estar contido o amor unilateral, o amor platónico, idealizado como era cantado pelos trovadores. Sonha-se é-se quase feliz…
Na segunda, está (ou estará) uma relação bilateral, um todo, mas uma das partes fica só com um amor de indiferenças, de silêncios.
É sofredor, é desmoronamento.é vazio, é desespero. É perda…É luto. E cada qual vive este luto de maneira diferente. Depende da sua estrutura psicológica e de apoios de retaguarda.
Ultrapassá-lo, passar a uma fase seguinte só quando se (re)ganhar a essência do seu eu. E com doses elevadíssimas de auto-estima. E sim, com novos amores, sobretudo o maior: o amor-próprio, o amor pela vida. E esta tem tanto para dar. Pode ser um cliché, mas viajar para fora de nós e viajar efectivamente é uma possibilidade. É que viajar é descobrir e só se descobre verdadeiramente no contacto com o real, mesmo que se tenha que apalpar as flores de um qualquer jardim público ou acariciar um rosto que nos inspira tanta ternura…
Odete Ferreira 30-07-2011
