As primeiras chuvas no final de Agosto. Relvados banhados por águas milagrosas, de empalidecidos ficam vivos, verdes de esperança. Algumas folhas, secas, polvilham-nos, anunciando um lento desnudamento das árvores. O nosso contrário: os braços nus começam a deixar ver apenas a sua metade. Tal como as pernas, ainda acobreadas, revelando o sol que as acariciou. Chuva que lava uma natureza sedenta de limpeza. Chuva que provoca vontade de lavar a alma, não porque sinta necessidade de limpeza, antes pela vontade de me sentir bem, de a acalentar como um ser precioso que (re)nasce em momentos não previstos ou ciclos de renovação. Estar num limbo espiritual, (re)centrar o pensamento no essencial. Projectar um olhar ternurento no que me faz bem. Oferecer o meu ser a quem dele necessita, Ouvir toadas sofridas, partilhar o que em mim é procurado…
Já estive nas escola. Revi pessoas. Troquei alguns mimos. Ocorreu-me iniciar o ano lectivo com os novos alunos com uma abordagem diferente. Se resultar em mais valia, aqui darei conta. E, sim, estar cada vez mais atenta a quem merece a minha presença ou relacionamento comunicacional.
O sol teima em rasgar as nuvens. Mais logo talvez volte a desnudar os braços e as pernas. Vêem, a Natureza com os seus humores é mestra. Por isso (já o verti em poema) a Natureza é Mulher. Género feminino. Coincidência? Não creio…
Odete Ferreira 01-09-2011