sexta-feira, 15 de julho de 2011

As casas com que me visto

Primeiro foram as fotos que ilustram os poemas, todas reais, algumas minhas, a maior parte de um jovem estudante da Escola Profissional de Agricultura, um amador de excelência! Foi um achado, oxalá o meu livro as pudesse conter; contudo ficam no portefólio poético!
Como o sonho comanda a vida, há muito que desejava ter um poema em vídeo. Sei que, não sendo difícil, é preciso tempo para pesquisar imagens e sabedoria para construir um todo harmonioso: palavras, imagens, música... E aqui está o meu primeiro vídeo poema! Foi uma agradável surpresa! Obrigada!
(pausar MixPod)

Trilhos...Em rodagem...

Bem, ontem, num dia em que a natureza adormecia, acalorada e vagarosamente lenta pela preguiça que pressentia nos raros transeuntes que se atreviam a pisá-la, a minha natureza sentia-se bem desperta... Movimentava os dedos finos no teclado, mudava de páginas...Um frenesim compreensível. Passava os últimos textos dos meus alunos para o formato digital (o seu blogue encerrou hoje um ciclo de vida, mas não morrerá...), adicionava a página do projecto "Trilhos" à minha página, digamos, mais literária e , claro, divulgava-a...
Não vou precisar de dizer muito mais. Apenas que me orgulha!
Deixo o link...

Cliquem, gostem e acompanhem...Obrigada :)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Ken Robinson: Escolas matam a criatividade?

Não podia deixar de postar...É demasiado importante que todos ouçamos!!!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Breve história ou uma história para sempre

Sentia dores na alma mas era no corpo que se projectavam. Saiu apressadamente do escritório, mal balbuciando um até amanhã aos colegas.
Galgou os quilómetros e refugiou-se no seu quarto. Escureceu-o, queria alhear-se…Contudo as palavras determinadas e ditas apressadamente, pelo telemóvel obsessivamente permaneciam.
Sonhara tanto! Vivera intensamente aqueles meses com a rapariga com a qual se cruzara na livraria perto de casa. Nunca a tinha visto. Bastou um breve olhar quando ambos iam retirar da estante o livro apetecido..Um sorriso divertido e prolongado surgiu espontâneamente, numa fixação de olhares que os olhos não quiseram desviar. O diálogo aconteceu, após troca de gentilezas ocas, monossilábicas…
A solidez relacional enriquecia-se a cada momento vivido. Passou a ser a sua vida. A dela também, assim pensava. Em pouco tempo sabiam tudo um do outro. Não que houvesse vivências assim tão diferentes jovens na casa dos vinte. Vinte e sete ele, vinte e cinco, ela. Amadurecidos, contudo.
Deslumbramento, paixão, amor, sentimentos que pensara nunca vir a sentir em tão curto espaço de tempo. Por vezes, dava por ele, a sentir calafrios, um temor sem razão. Uma ansiedade que o desconcentrava de tarefas que sempre foram a sua prioridade. A carreira, na qual apostara, perdendo saídas com amigos, era de somemos importância agora.
“Miguel, não vou estar mais contigo. Não queiras saber pormenores. Não me procures. Acabou.” Desligou de imediato. Ficou inactivo, por alguns momentos. Reagiu e ligou. Silêncio, a não ser o sinal de chamada. Tentou mais umas vezes.. Desistiu. Ruiu. Saiu mais cedo. Questionava-se mas soube logo que entrara num luto sem saber o porquê…
Hoje seria o primeiro dia de um calvário que teria de aprender a percorrer, com alguma dignidade. Como? Sozinho sentia que não conseguiria…
“ Mãe, ainda demoras a chegar a casa? Preciso de ti, do olhar que me acalmava e fazia dos meus medos, passos seguros”, disse, quase num sopro de voz.
“Estou aqui, filho, não deste pela minha presença…”
Soergueu-se e logo sentiu os braços que se lhe estendiam. Envolveu-se neles. As lágrimas podiam, finalmente, correr por tempo indefinido. 
Odete Ferreira - 29-06-11

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Do cansaço me (des)faço


Não fiz caminhadas pedestres
mas sinto-me tão cansada!
Como se fosse apunhalada
por invisíveis canivetes.

Não falei às flores da Primavera,
abertas em sorrisos de pétalas.
Adensou, em mim, o sorriso mudo,
esganado por forcas de outra era.

Não escutei conversas soltas
que ouvidos apurados
captam entre grandes copas
árvores de grande porte
em jardins acolchoados.

Embebedei-me de caras curiosas,
de líquidos saídos de almas
em crianças sequiosas
que me escutam, silenciosas.

Algum cansaço desapareceu
quase por encanto, meu.
Momentos mágicos
que me levam ao céu
envoltos em colorido véu.

O que resta será descanso
que encontro no meu canto
sentada em secretária de madeira
minha única companhia
em momentos de nostalgia.

Logo virá o encantamento
lendo escritos imberbes
pela caneta já cansada
entre mãos adolescentes…
O cansaço ficará sonolento,
pairando entre um estado indolente
e a actividade do pensamento…

Sirvo-me de licores variados
salivo cada palavra
agarro nos escritos lidos
deles faço a almofada
onde finalmente repouso
e o sono me toma, de madrugada.

OF 02-06-2011 

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A palavra, serviçal do nosso querer


Dias já quentes, abafados. A roupa quente, lavada e devidamente arrumada, fica a aguardar nova estação. Renovamo-nos, ventilando a alma, embora esta se sinta sempre ardente, bem aconchegada na parte do corpo que a chama, conforme o momento.
As águas que correm apelam a um refrescamento e o sol é o chamamento para um pele esbranquiçada.  A toalha serve de  cama a sonhos que apetece sonhar, imaginando cenários paradisíacos, onde nos sentimos especiais.
Árvores exóticas transformam-se na companhia que nos serve manjares sensitivos. O mar projecta sombras que nos levam a lugares do Olimpo. O sorriso aluga os lábios como casa de férias. A aventura é o desejo da mente, insegura entre algo real e algo irreal, desconhecido mas apetecido.Cedemos, perdemo-nos nas surpresas que desejamos acontecer…
Entardeceres emotivos e enternecidos, num diálogo mudo. As palavras são serviçais do nosso querer e apagam-se perante o nosso poder de sonhar…

OF 28-06-11