a alma se soltava em sonhos
desatando, paciente, as amarras
que desencatava em todos os portos,
de navios, barcos, barcaças
que assim soltos,
beijavam todos os seres
abrigados nas suas carcaças.
A cadência das marés
era o canto das sereias.
O berço aconchegante de sorrisos.
O baile de ritmos ondulantes.
Nos barcos de recreio
amava-se sem receio.
Corpos colados em suspiro
de despudor despido.
A alma viajante intemporal
Assistia, deslumbrada,
aos afetos sentidos
reencontrados, em amor carnal.
De olhar enevoado
por lágrimas salgadas
que doces ondas soltavam,
a alma suspirava…
Envolveu-se nos seus laços,
tiras de fino linho.
Esgueirou-se de mansinho
adormeceu nos abraços
dos amores presenciados…
E estes iluminados
sentiram-se abençoados.
OF 22-07-2011
http://worldartfriends.com/pt/club/poesia/soltando-o-espartilho-da-alma#comment-157862

