domingo, 22 de janeiro de 2012

Soltando o espartilho da alma

Presa em espartilho de sedas,
a alma se soltava em sonhos
desatando, paciente, as amarras
que desencatava em todos os portos,
de navios, barcos, barcaças
que assim soltos,
beijavam todos os seres
abrigados nas suas carcaças.

A cadência das marés
era o canto das sereias.
O berço aconchegante de sorrisos.
O baile de ritmos ondulantes.
O sono de pesadelos despido.

Nos barcos de recreio
amava-se sem receio.
Corpos colados em suspiro
de despudor despido.
A alma viajante intemporal
Assistia, deslumbrada,
aos afetos sentidos
reencontrados, em amor carnal.

De olhar enevoado
por lágrimas salgadas
que doces ondas soltavam,
a alma suspirava…

Envolveu-se nos seus laços,
tiras de fino linho.
Esgueirou-se de mansinho
adormeceu nos abraços
dos amores presenciados…
E estes iluminados
sentiram-se abençoados.

OF 22-07-2011
http://worldartfriends.com/pt/club/poesia/soltando-o-espartilho-da-alma#comment-157862

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Em tela (me) pinto…

Dentro  de mim uma tela branca, imaculada, sem um rabisco ou cor pensada.
Não sei pintar mas farei uma obra prima que existirá no  instante da escrita.
Arrisco uma pincelada, acinzentada, parecendo um corpo envolto, acocorado, colhendo como afagos, algumas flores silvestres, que despontam entre um mar arroxeado de lavanda. Sinto o seu odor, traço um rabisco incolor, volátil, inebriando a tela. Toma vida. Ondula como a brisa suave e os parcos traços impressivos parecem já não quererem ali permanecer.
Têm razão, seria demasiado estático…
Rasgo um ribeirinho, sem grandes escolhos, aberto ao céu de matizes azulado.
Um menino, no seu barco de papel. Amarelado, impermeabilizado, acomoda-se e aventura-se na viagem. Em sonho, sente-se embalado nas vagas doces de um mar aportado a uma secreta enseada.
Seca-se na areia dourada. Ainda é dia. Vence-o o cansaço. Dorme o sonho da aventura. Mais adiante vislumbra o corpo agora inerte. O campo de lavanda permanece.
Percebe! Deu  volta ao mundo no seu barquinho de papel. Saltita, sorridente. Pelo mexer dos lábios percebo que grita:
- Princesa, já colheste todas as flores? Preciso delas, o meu sonho ficou vazio!
Amanhã, outra tela surgirá. Talvez mais soturna, com montanhas acastanhadas, recheadas de misteriosas criaturas que dão vida a cada pincelada do pintor…

Odete Ferreira  11-12-11
http://www.worldartfriends.com/pt/club/prosa/em-tela-me-pinto%E2%80%A6

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Divulgação de Malam e outros contos

Nem sempre posso dar à escrita o seu timing. Ontem foi um desses momentos. Criado um evento público no FB pelo Aero Clube de Mirandela, no qual anunciava a presença de Olinda Morgado com o seu livro de contos “Malam e outros contos” naquele espaço e convidada que estava para este encontro, deveria ter publicitado a minha presença neste simples encontro de amigos.
Estive. Conversámos, sendo o fio condutor da nossa empática comunicação a escrita, circunstâncias que a enformam, a penetração no mercado complexo e competitivo do produto “livro” e afins.
Ouvira a sua entrevista na rádio local, sendo, portanto, lógico que aflorassemos pontos de vista comuns, relevando o fato de ser necessário tempo para o processo criativo em prosa.
Foi mais um domingo com uns pós de baunilha culturais, apesar do frio e do esbranquiçado da paisagem…

(Naturalmente (re)descobrimos que o mundo é pequeno e Portugal minúsculo…Sorrio, só posso!)

Já agora: só me falta ler o último conto, mas o primeiro merece-me uma segunda
leitura – pela densidade, no melhor dos  sentidos…

Odete Ferreira 15-01-12

domingo, 15 de janeiro de 2012

MOMENTOS

Pesarosas estão as ruas quase desérticas, não de coisas, mas das pessoas que se aninham em recantos abrigados, aquecidos. Ainda mais pobres os que nem isso podem escolher. É Inverno. Chuvoso. No corpo e na alma! Histórias de vida ou a vida com histórias de finais imprevisíveis...Odete Ferreira, 15-01-12


(Pausar MixPod)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Mia Couto -- "Há quem tenha medo que o medo acabe"

(Pausar MixPod)
Já sabia que Mia Couto é o ilusionista perfeito das palavras, fazendo-as desaparecer e voltar a aparecer com novas cores, novos sentidos, deixando-nos a escapar um "ah" de surpresa e deslumbramento, quando lemos o que escreve. Tomei conhecimento deste vídeo. Não perdem tempo a visioná-lo, acreditem! Doutra forma, nem me atreveria a postá-lo!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sonho mental

Sonhei?
Não sei!
Era preciso sonhar
e deixar vaguear
o inconsciente
remexendo a mente?

Passiva, no meu sonho,
seria então sua escrava.
A sabedoria
feita vivência
roubada seria,
sem eu sentir nada!

Não quero nada disso!
Do meu pensamento
quero ser dona,
estar sempre consciente,
dos sonhos que sonho acordada.

Moldo-os então,
como costureira
em saia rodada.
Rodopiam à minha frente,
fazem a dança pensada.

Em valsa ou tango sensual
ou em ritmo frenético,
sacode-se todo um corpo,
fazendo esgares de frémito.

Sou então possuída
de um prazer sem igual.
Preciso sonhar
se sonho a caminhar?

Assim é que deve ser o sonho,
pensado,
concretizado
num futuro…
Ainda que seja mental…
  
OF 17-04-2011 
http://www.worldartfriends.com/pt/club/poesia/sonho-mental