Tristezas
não pagam dívidas – diz-se; mas quando a tristeza é dívida que se paga a um
deus menor, será que a dívida não é tristeza legítima?
Estou
triste. Não é um estado mórbido, apenas
o sentir de uma dor que partilho como se fora minha e a impotência perante um
destino que se impôs como pedregulho ameaçador no caminho de um ser vivente,
puro e doador.
É
traição imerecida. É lágrima sempre latente, angústia presente, visível nos
traços dos passos arrastados, levantando nuvens de pó que nos envolvem e tornam
invisíveis ao nosso próprio olhar.
Quebramos
os espelhos, mas os pedaços espalhados riem-se das imagens distorcidas que nos
devolvem. Raiva, desespero, grito surdo. Blasfémia. Mutilação. Ausência. Vazio…
Virá
a aceitação, a fotomontagem, a reconstrução. A força anímica. A regeneração. Um
renascimento. De nós e do mundo que emolduramos, qual retrato retocado. E, em
novo figurino, faremos o batismo de um novo ser. Mais rico, apesar de tudo.
E
aí sim, seremos seres (ainda) mais especiais.
Amiga,
este é o meu credo. Será também o teu. Sei-o porque não queres desiludir quem
te ama! Solta as lágrimas. Faz do rio um grande sorriso!
http://www.worldartfriends.com/pt/club/prosa/da-derrota-fa%C3%A7a-se-vit%C3%B3ria#comment-167513


