sábado, 11 de janeiro de 2014

Amanhecer em abraço de ternura

Sonho amanheceres…

Letárgicos momentos
num corpo embalsamado
entre cobertores sedutores
em ousadia consentida.

O sonho cerra pálpebras
como remos a caminhar
em águas moles, preguiçosas.
Banham faces ainda lisas
por beijos de eternas maresias.

Sonho bosques embrumados
onde imagens fugidias
tomam formas místicas
dançando festas de fantasia.
Sou a dança, música, melodia.

Vejo-te em amanhecer apaixonado.
Sinto teu corpo em mim abraçado.
Agito o sonho sonolento.
Aconchego-me em peito poema…
Resta-me reinventar o momento.

Todos os dias sei de um amanhecer
num acasalamento breve entre sol e lua.
Luz resplandecente em todo o ser.
Renascimento que na alma perdura.
E abraço-me em amanhãs de (a)ventura…

OF -  08-01-14
Foto – Autor desconhecido

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Cronicando...

Aquando do exercício de funções de professora tutora, em contexto de acompanhamento, ocasionalmente e a propósito de relacionamentos afetivos, percebia e era-me expressada a necessidade de saberem  distinguir o que sentiam: era amor, paixão, atração, ou o quê?
Tenho a certreza que nunca fui capaz de definir, clarificar ou delimitar tais sentires, na cabecita confusa de adolescentes ainda à procura de si próprios.
O célebre soneto de Camões “Amor é fogo que arde sem se ver” é, talvez, o que mais se aproxima da definição, referenciava, já que uma resposta como “o amor é transcendental” não seria apreendido pelas jovens pessoas que me questionavam.
O amor é um caldeirão de sentimentos. Se os pudessemos decantar, veríamos que havia vários ingredientes identificáveis, como paixão, atração, cumplicidade, partilha, saciando a fome pelo outro conforme os contextos e as circunstâncias. Mas, como em tudo, se se colhe algo para saciar a fome, há que, de imediato, repor esse algo para que a fórmula do amor não entre em falência técnica. Em suma, o cultivo do terreno fértil tem de ser constante.
Vem este deslizar reflexivo a propósito de um artigo que li do nosso Miguel Esteves Cardoso (MEC). Confesso que só há cerca de uma década é que me identifico com a sua escrita. Porventura, culpa minha. Talvez ainda não estivesse preparada para o seu cabal entendimento. Deixo-vos o link *. Depois ajuízem…
Talvez o guardem no vosso mail para o reler. Eu assim fiz. Há escritos que merecem ser homenageados no anonimato de horas egoístas…

Odete Ferreira, 05-01-2014 – Foto, autor desconhecido

“O amor é um estado de quem se sente.” (MEC) – Esta é, para mim, a frase chave, o leitmotiv da chama da vida…

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Um diferente 2014 ou um 2014 diferente... A escolha é tua!

Pintura de Hu JunDi

“Achas que devo?”. Mais do que uma pergunta era quase um ato ilocutório, idêntico a um qualquer cumprimento. Devolveu-me um olhar intrigado. Apressei-me a acrescentar “Escrever um poema ou um textito alusivo ao ano que se aproxima…”.
“Precisamente porque se trata de mais um degrau na passagem pela vida que conhecemos, é que tens a obrigação de escrever. Penso mesmo que ninguém te perdoaria se não o fizesses. Sabes como é, habituaste-nos…”
“Mas conheces-me! Não sou hipócrita. E, sobretudo neste tempo de realidades que me indignam, neste tempo em que, cada vez mais, o aniquilamento da dignidade de tanto ser humano me remete para o receio  de um retrocesso irrecuperável, revestindo de trevas agoirentas as almas de boa vontade…”.
Um longo e pesado silêncio. Não era assunto novo nas nossas conversas.
“Talvez por isso mesmo. Escreve sobre isso. Afinal será mais um um alerta para que, cada um de nós tenha essa consciência, a capacidade de   entendimento para não se deixar manipular. Que convoquemos a nossa força interior e façamos em cada dia de 2014 a diferença…”
“A diferença de ser diferente perante a indiferença dos falsos profetas”, atalhei antes que a hora do entardecer embrumado me fizesse desaparecer na batalha que só estava marcada para depois da meia-noite de 31 de dezembro.
Despedimo-nos. E, pelo sim, pelo não, acabamos por nos desejar  um ótimo 2014, quase impercetível pelas gargalhadas saídas do olhar de infinitos sonhos aconchegados no azul celestial…

Odete Ferreira, num momento em que (vos) desejo passadeiras vermelhas em todos os momentos do ano marcado no calendário, desfilando de cabeça erguida e olhos piscando a estrela alojada em passos de bailarina.
30-12-2013

domingo, 22 de dezembro de 2013

Talvez os mistérios residam aí

Esvazio vivências e memórias.
Dispo o pestilento pessimismo
guardo-o entre roupas primaveris.
Afinal é época de Natal!
Quero vestir o sorriso de otimismo
com pétalas de flores coloridas.
Renascer no sentido poético,
pensar-me no amanhã do sonho,
brilho da estrela guia do caminho.

Preencher os vazios
de noites pesadelo
que marcam rostos aflitos.
Aquecer gélidos arrepios
Esgares retorcidos
de vidas sofridas.
Esfumar sonhos desfeitos.
Partilhar meu afeto renascido.
Chamar para a VIDA
o Tempo da imortalidade,
num rosto angélico cinzelado.

                               Crença.
                         Esperança.
                             Amizade.
                       Fraternidade.
Símbolos de imaterialidade.
                   Alma peregrina
                         luz invisível
                    gesto do afago
                         beijo de sol
oferenda afortunada de mim.
Procura-a algures no teu jardim.
Talvez os mistérios residam aí…

OF (Odete Ferreira) -  21-12-13
Pintura, Johannes Vermeer “Rapariga com brinco de pérola”

Talvez os mistérios residam aí…Neste poema, não o parecendo, seguem os votos de uma quadra vivida em harmonia. Do amanhã, antecipamos os sonhos.
E, sabes, gosto de (te) sorrir… :) <3

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Natal, magia menina

Tempo ansiado,

antecipado
em nós o tempo.
Dias mágicos,
laboriosos em terra de fantasia,
neve que a envolvia…
Trenós, renas
o Natal que me tomava
na pureza de menina.
Entre sonho e realidade,
era do sonho a primazia…
No inverno esbranquiçado,
onde o olhar se extravia,
mano e demais família,
o musgo perfumado
em cesto de carinho forrado
era cuidadosamente depositado.
Não fosse haver algum espinho
que ferisse o Deus Menino.
Na volta escolhia-se o pinheirinho.
Como desfile de moda,
alvo de reparos na forma e estilo,
sacrificava a vida,
doando-se a nova casa
de risos pueris enfeitada.
(As cercanias sorriam.
Habituadas ao correr manso do tempo,
estas visitas de braços abertos acolhiam).
A mãe afadigava-se
com os vapores enevoada,
aspirando apetitosos odores,
ignorava os leves queixumes
da mesa grávida dos doces
que sabiamente confecionava.
Depois, ah, depois…
Olhos gulosos famintos
debicavam as iguarias,
pratos tradicionais saboreados
numa sinfonia orquestrada.
Era o momento de conversa partilhada…
E num serão onde a lareira era rainha,
jogava-se ao rapa e pião.
Em contentamento desmedido
amontoava-se o quinhão.
Éramos ricos.
Paladares e falares
únicos.
União…

OF -  15-12-13
Foto – Autor desconhecido

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Momento(s) XVI


Frio
-----gélido
pingando das copas das árvores
e do nariz das gentes incómodas.

O rio
------esse lugar de frescura
------dos cios enlouquecidos
abranda a correnteza
nesta preguiça gelada.

O céu
--------que adivinho azul
--------em outras paragens
teceu um mar cinzento
de nevoeiro que (nos) imola
no fogo crepitante do lume fumegante.

E eu
------que me atrevi e saí
------sentindo o que não vi
desafio dezembro em dia cinzento.

OF, 07-12-13