terça-feira, 31 de maio de 2011

No meu ser, no meu estar

Não quero um poema de raiva
hesitei em escrever.
Não fui capaz!
Talvez me acalme
há que ser audaz
deixar as palavras escorrer…

A seiva que se solte
e dissolva em riachos
de água turva
tumultuosos
em dias de tempestade
calmos, doces
em dias de paz…

As bocas fechadas
os rostos sisudos
os barulhos estrondosos
os olhares orgulhosos
as pessoas infelizes
as almas penadas…

Ou eu…
O meu ser, o meu estar
o meu pulsar
de dias violentos…
A postura enraivecida
 que não deixa descansar.

Ah! Os olhos fechar
a alma adormecida
o sonho de paisagens coloridas…

Tudo tão distante…
A vida num instante
-REVOLVIDA-
No meu ser, no meu estar…
 
OF 26-05-2011

(O poema completo; afinal só faltavam 26 versos...)

sábado, 28 de maio de 2011

No meu ser, no meu estar

Não quero um poema de raiva
hesitei em escrever
não fui capaz...
Talvez me acalme
há que ser audaz
e deixar as palavras escorrer...
 (...)
(Os seis primeiros versos do meu último poema, tem mais vinte e sete...)
OF 26-05-11

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Palavras moribundas


 Palavras que dizem
em conversas pensadas.
Palavras que caem
em silêncios, caladas.

Palavras que se trocam
em relógio ao contrário,
desfiando as contas
gastas, de um rosário.

Palavras que se encadeiam
em frases formuladas,
revendo o alfabeto,
desde cedo, memorizado.

Palavras imensas
de plural significado
trocadas a medo
entre mentes asfixiadas.

Palavras pesarosas
de um pesar inusitado
dizem-se, não se pensam,
pronunciam-se, vagarosas.

Que outras palavras
serão ditas
entre seres amigáveis.
Que posturas
serão precisas
para que as palavras
sejam o que são, afáveis!

De que pele estamos revestidos
quando nos sentimos introspectivos?
Que sentimentos vestimos
para não sermos extrovertidos?

Eis uma breve reflexão
que registo, não em vão.
Ocupa-me muito tempo…

Procura-se outro mundo,
sabendo-se de ilusão?
O sonho parece gasto
de tanto ser evocado.
Daqui a pouco, muito poucochinho
nada restará,
apenas pálida recordação.

É urgente alargar o léxico
é preciso não se ser alérgico
 e inventar novas palavras.

Em sonhos não inventados
façamos eco sem pudor!
Antes de entrar em vigor
o novo acordo ortográfico!

OF 05-05-2011 

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O evento – a sessão de lançamento

Cumpriu-se o programado: após o momento musical, o Sr. Presidente da Câmara apresentou a mesa e pautou a sua intervenção focando o que da autora conhece profissionalmente, proferindo elogios que não esperava e que não me cabe reproduzir;  por isso, os meus sinceros agradecimentos. Apresentou, de seguida, o Dr. Fernando Calado, orador principal, a meu ver, visto que era o livro “Em Suspenso” o motivo deste evento. Ouvir falar este orador, é sempre um momento de poeticidade pura. Relevando o que entendeu plasmado na obra, estando a autora como sujeito poético nela retratada, brindou os presentes com palavras encantatórias, à volta da vida que é poesia, sem que me apercebesse que houvesse alguém aborrecido com a laudatória. Pelo contrário: soube a pouco, deixando o apetite aguçado para outras oportunidades… Finalizou, surpreendendo-me (nos) com a leitura de um poema que “apanhou”, talvez daqui do blogue, está postado “Gosto de ti...”, mas não incluído no livro (este tem poemas até ao final de Janeiro, sensivelmente).
Naturalmente, teria que intervir, não que fosse acrescentar nada ao que já tivera sido dito de forma excelente, mas porque assim se impunha. De forma totalmente informal, sentindo-me em família alargada, intervim, discorrendo de acordo com o encantamento que era palpável entre todos. Lembro-me (ninguém tinha um discurso escrito) de ter falado do sujeito poético, o EU, que se centra nas pessoas e nas suas versões vivencionais. É disto que faço poesia; esta está na VIDA e o poeta põe a poesia na VIDA.
Momento alto: a leitura de poemas por alunos, ex-alunos e adultos, entrosando-se gerações, unidas por momentos de palavras…Só ouvindo. Como lhes estou grata!

Depois foi a festa: o convívio, o beberete, a sessão de autógrafos, a entrevista para a rádio e jornal locais, que fizeram questão de estar presentes como amigos, mais do que profissionais que são…Tudo em ambiente quase feérico porque o local o proporcionava. O resto pode ser perfeitamente vivenciado na imaginação de cada um…
 
O essencial do evento está gravado. O meu filho prometeu compactar (penso que não estarei a dizer uma asneira técnica); deste modo, a sessão poderá ser vivida por quem não pôde estar presente e revivida por quem degustou momentos que não se vivem ao virar da esquina…
Estive em suspenso durante dias. Quero continuar em suspenso por muito tempo. Quero ter este meu “EM SUSPENSO” nas muitas mãos que se deleitam com as palavras…
Hoje, uma colega e amiga presenteou-me (confidenciou-me que queria tê-lo lido no evento…) com uma folhinha manuscrita (acrescentando um beijo de muito sucesso) e
que vou colar na primeira folha do meu livro:

Manuel António Pina – Prémio Camões em 2011 e 10º escritor galardoado – disse sobre a poesia “É a forma mais radical de literatura e próxima da língua!”

Não, não escrevo a poesia a que alude Manuel António Pina. Mas inequivocamente partilho da sua ideia!

A todos quantos me apoiaram e contribuíram para este evento, um humilde OBRIGADA!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O evento - o espaço

Já instalados e antes de se iniciarem as intervenções, deixo uma vista parcial do espaço e a constituição da mesa (parte), num momento em que já nos deliciávamos com o grupo de cordas...





domingo, 22 de maio de 2011

O evento - primeiro andamento...

Sábado de cansaço, emocional e físico, organização da casa (mínima, devo confessar), escrita de dedicatórias personalizadas no meu "EM SUSPENSO" (amig@s que o adquiriram no lançamento, ficando comigo para que pudesse, com tempo, executar tal tarefa) e a vontade de fixar bem os momentos do dia anterior...
Primeiro andamento: título sugestivo porque assim o é de facto. Foi o momento musical com as cordas clássicas. O silêncio que a beleza faz calar, a admiração pela arte de jovens à qual dedicam tanto tempo das suas jovens vidas. Belíssimo...Não sendo uma surpresa (sempre acompanhei a nossa escola profissional de música, agora Esproarte), é, contudo, sempre um deslumbramento. Nem sei que semântica será mais forte: obrigada ou parabéns ? Provavelmente o obrigada, considerando que, sem eles, o evento não teria o mesmo brilho. Enquanto não tenho a foto, deixo a ligação...


Final de tarde: visionamento (aí umas 3 ou 4 vezes) da gravação em vídeo de quase todo o evento...Tocante, sobretudo a leitura de poemas por alunos...

Não tenho fotos, para já. Vou solicitar aos presentes  que mas enviem para o e-mail. Sei que quem não pôde estar, quer saber tudo, mas tudinho...Curiosos ou orgulhosos? Inclino-me para o segundo  adjectivo!

(Adenda: quando postei o texto, por lapso e cansaço, escrevi  "primeiro " em vez de   "segundo  " na última frase...As minhas desculpas a quem já leu o post! )

2.ª adenda: afinal, consegui uma foto tirada pelo meu  mano; fica o post do primeiro andamento completo...