domingo, 10 de agosto de 2014

Por onde tens andado, EU?

Por vezes reparo no histórico das postagens. Inicialmente, deixava mais partilhas. Tantos momentos que foram eternizados neste espaço! Não diminuiu o ritmo da escrita, tampouco as minhas vivências se tornaram insignificantes.
A verdade é que passei a estar mais ocupada na leitura de escritos, quer em blogues, quer em sites de poesia, como ainda em grupos poéticos na rede social do FB, onde, também, vou alimentando duas páginas. Mas estão magras, coitadas! Consequentemente, a quantidade de postagens no blogue ressente-se. E confesso: frequentemente, tenho dificuldade em escolher o que partilhar…
Este preâmbulo foi apenas um aperitivo para o menu de que vos quero falar, de cariz mais pessoal. Continuei a estar presente em eventos literários (mais espaçadamente nos últimos tempos, pelos motivos que conhecem) a participar em algumas Antologias (prosa e poesia), a estar presente em muitos lançamentos de livros, atividade que deixo registada na página do FB, afim de não sobrecarregar o blogue.
Repescando o título, tive, desta vez, vontade de partilhar convosco alguns momentos, ocorridos recentemente, dos quais vos deixo um apontamento fotográfico.


Amigo desde sempre (Albano Viseu), colega de excelência, no trato e profissionalmente, aceitei, de imediato, o repto para falar do autor e obra publicada, aquando do lançamento da obra “A Simbologia das Palavras” -  os sentidos implícitos nas canções de Zeca Afonso.

Encantado momento literário, abrilhantado pela atuação de colegas cantando algumas das canções alvo de análise na obra. Os presentes pediram bis, no final, acrescentando as suas vozes à canção “Venham mais cinco”.
Uns dias mais tarde, sem falsa modéstia (defeito de que não quero enfermar), soube-me bem, mas mesmo muito bem, o almoço/homenagem com que os colegas do departamento de Línguas e Ciências Humanas e Sociais me presentearam.
 
Emocionei-me? Mais do que isso! Rolaram umas lágrimas cristalinas. Valeu-me não ter posto rímel. Discursei? Não! Falei apenas, nem sei de quê! Orgulho foi ver e sentir que, junto de tantos intervenientes educativos, fui e continuarei a ser uma referência.
Este e tantos outros momentos de reencontro conferem sentido à nossa vida terrena. Pouco a pouco, vou-me desfazendo de dossiês pessoais. Sem qualquer constrangimento. Contudo, se tento fazer o mesmo com os dos alunos, ainda não sou capaz de os enviar para a reciclagem. Até quando? Não sei…
Odete Ferreira – 16-07-2014

(Concluídas as obras, reorganizada a casa, é tempo de passar para o Word o que rabisco no bloquinho e de retomar as visitas aos vossos espaços. Ainda não será com a celeridade que gostaria. O calor amolece e, de manhã, tenho de apanhar uma horita de sol, num resguardado recanto do jardim. Recomendação médica e eu cumpro de bom grado.)

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A uma certa saudade

Instantes, momentos.
Rostos, sentimentos.
Lágrimas purificantes.
Nos olhos lubrificantes.
Vidros, cacos partidos.
Pedaços de vida doridos.

Folhas manchadas.
Mãos descontroladas.
Corpo cambaleante.
Alma errante.
Tela desfigurada.
Pele arrepiada.

Vazio esburacado.
Mar encapelado.
Tormenta indefinida.
Passagem só de ida.
Ilha de sofrimento.
Visões de tormento.

Penumbras sombreadas.
Raivas garatujadas.
Sóis engarrafados.
Sorrisos amarfanhados.
Paisagens dormentes.
Poemas dolentes.

Estados desfraldados.
Bandeiras ao sabor do vento.
Fustigadas pelo inesperado.
Janelas nostálgicas fechadas.
Costas coladas ao passado.
Pautas de músicas empoeiradas.
Em mim há perdidos e achados.
Peças enraizadas no pensamento.


Assomo à proa.
Trago a saudade incinerada.
Caminho na onda apaziguada.
Desenhei asas na saudade.
Conquistou a liberdade.
Como voa!

E eu? Ensaio um sorriso ao infinito.

OF – 23-07-14
Obras de Pawel Kuczynski 

(Amig@s: vou demorar algum tempo a visitar-vos. Entrei na 2.ª fase das obras. )

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Luar a meu gosto

Feiticeira sem vassoura,
elevas-me no feitiço claro,
escolhendo o caminho
que só tu conheces
porque namoras as estrelas.
E pairo no luar
do teu matreiro olhar,
em lânguida inércia
esperando o vai-vem
que me leva o sentido de mim.
Galática me vejo, corpo celeste
perdido num universo sem fim.

Sou-te resgatada,
Passou por ali um cavaleiro navegante.
Ansioso, pálido, ofuscante,
não sei de que luz crepuscular.
Traçada está a tua rota,
a minha pode mudar.
E naquele cavalo brilhante
esfreguei algum do teu feitiço.

O tempo deve ter parado.
O cavaleiro ficou especado
algures num monte sem nome.

Talvez fosse Vénus indicando a rota de regresso,
em noite de luar a meu gosto.
  
OF – 16-07-14
Obra de Laurent Laveder

terça-feira, 8 de julho de 2014

O que o abraço não disse

Fugaz apenas será a memória
do sentir anoitecido.
Abraço esmagado
num peito liso
de sentimento preenchido.

O silêncio paralisou o momento
na boca das palavras
enoveladas,
nos braços apaixonados
e no abandono da ternura.

Só depois os beijos selaram
as juras prometidas,
as saudades contidas,
as fomes do corpo
na dança do olhar intruso.

Mas, se tacteares,
seguirás o trilho do abraço
na pele amaciada do reencontro.

OF – 02-07-14

Obra de Tomasz Allen Kopera

terça-feira, 1 de julho de 2014

Tragicomédia de um verão português

Pintura: Salvador Dali

Apetece-me especialmente este verão.
Depenada, sem um tostão,
andarei despreocupada
com as pegadas na fina areia.
Serei a louca desnudada,
alvo de sorrisos dementes
ou gestos complacentes.
Talvez a visão de uma sereia…

Agrada-me este cenário
de santa sem relicário.
Incógnita, imaculada
de pele disfarçada.
Habitarei o quinto império,
do sonho não fui espoliada.

Resorts e campos de golfe.
veraneante sem destino.
Espia do grande regabofe.
Festanças e orgias…
Não serão meras fantasias,
tampouco perderei o vinho fino.

Há humores
e arrepios.
Há calores
e demasiados ímpios.
É um verão a rir e a chorar.
Um ciclo do universo,
um contra-ciclo no verso…

OF – 25-06-14 

Amig@s: sinto necessidade de informar que andei com problemas de saúde, logo sem grande ânimo para estar, com mais assiduidade, nos vossos espaços; a par, falta-me tempo, pois o acompanhamento das obras que estão em curso (e das quais não me livrarei tão cedo) exigem bastante de mim. São necessárias e, contra factos não há argumentos. Mas lá irei... Pelo menos, já estou a conseguir responder aos vossos encantadores comentários. Meu beijo :)

domingo, 22 de junho de 2014

E sorri à madrugada

A sonhar escrevi-te um poema
decalcado na pele do teu corpo.
Decifrava-o como língua gestual
seguias o movimento labial.

Mas perdias-te…
E eu repetia
num crescendo sensual,
Seria da sedutora poesia
ou teu amar que crescia?

(Ao acordar tudo se esfumara
como rua lavada após chuvada)

Em lençóis alvos amarfanhada,
na mão tua imagem desenhada
reconstituí a memória desfocada,
soletrando cada palavra inventada
…E sorri à madrugada.

 OF 19-09-12 
Obra de R. Bassani


Amig@s: já vou arranjando tempo para responder aos vossos comentários. :)