domingo, 4 de junho de 2023

Em 2020 - Entrevista - Jornal "Os Mirandelenses"


Jornal Os Mirandelenses – Odete Costa Ferreira, escritora, poetisa. Porquê?
Antes de mais, esclareço: se tomasse a escrita como central na minha vida, diria que não sou escritora, nem poetisa. Tomando-a como complemento essencial do meu todo como pessoa, direi que escrever, em prosa ou em verso, me afirma como escrevente, numa necessidade de comunicar e exprimir na palavra, (cultivando-a e explorando a sua significância) a relação da minha interioridade com o que é externo a mim, sejam as coisas, sejam as pessoas.
Jornal Os Mirandelenses – Desde sempre percebeu que o seu destino era ser escritora?
Não, de todo! Aliás, não acredito no destino, enqunto conceção determinista. O ser humano constrói-se, num processo complexo, sendo a vontade, a curiosidade e o deslumbre, alavancas basilares. Se algum destino houve, foi o de leitora, mais ou menos compulsiva, conforme as exigências académicas e profissionais, sendo que, em ambas, se impunha ser fluente nos diversos registos do uso da Língua Portuguesa.
Jornal Os Mirandelenses - De facto, considera que um livro é o culminar de muita escrita e reescrita…?
Colocar em livro o que se escreve, deve ser um processo exigente, traduzindo honestidade intelectual e um enorme respeito pela língua e pelos leitores. O livro, em si, pode não passar por um processo de reescrita (exceto qundo se trata do género narrativo), mas de muita escrita, sem dúvida, e de reescrita prévia, quando se trata de poesia; neste caso, também se exige seleção dos poemas, organização e, quiçá, construção de uma narrativa poética coerente e, havendo engenho e arte, de uma unidade interna e estrutura formal cativante.

Jornal Os Mirandelenses - Como descreveria o seu livro de poesia “UM CIBO DE NÓS”?
Eis a pergunta mais difícil, porque não há um enredo , mas enredos e todos eles relevantes, isto é, cada estrofe ou poema é portador de uma história, de uma mensagem, um cibo de um todo, que é o “Nós”. É uma viagem do Homem e da construção da sua humanidade; do seu sentido, do seu desiderato, enquanto ser coletivo. É,  também, a história do homem português, do transmontano, da sua vontade de ir mais além, e temos a lusofonia presente; depois, unindo tudo, está presente o eu poético, a relação com o mundo global, o coletivo, o NÓS, e a expressão do seu sentir, mais dócil ou indignado, perante o seu mundo de mais perto, o país, a região, a cidade. Um Cibo de Nós está organizado em dez capítulos (I- Dos Partos; II-Dos Rostos; III-Das Almas; IV-Da Minh´Alma; V- Das Dores; VI-Da Mulher; VII-Destes Tempos; VIII- Do Coletivo; IX-Da Liberdade; X-Da Incerteza; Epílogo), elegendo-se, em cada um, uma temática predominante; a transição e ligação entre eles é feita por uma estrofe que retoma o anterior e prepara o seguinte. O epílogo é o fecho da viagem, mas também pode ser o início de outra, a do leitor, por exemplo. A organização do livro teve um propósito: se não editar mais nenhum, este é um livro que representa, muito bem, as idiossincrasias da minha escrita poética. Decorridos nove anos, após o meu primeiro, foi assim que me quis revelar.
Jornal Os Mirandelenses – Em termos de realização pessoal como vê os comentários sobre o seu livro?
Como decorreram apenas duas semanas entre o lançamento (29 de fevereiro, no Museu Armindo Teixeira Lopes, Mirandela) e o confinamento, não pude contactar com a maior parte do público que esteve no lançamento. Apenas me chegaram os comentários de leitores que o adquiriram neste período. Contudo, para lá da prefaciadora e do editor, que teceram rasgados elogios, registados no livro, devo dizer que me sinto extremamente gratificada pelo respeito e apreço que têm verbalizado, quer quanto ao conteúdo, quer quanto à sua organização interna. Sobretudo, dizem-me que, chegados ao fim, queriam mais, tal o interesse que a leitura lhes desperta.
Jornal Os Mirandelenses - A inspiração é uma maldição ou um bem necessário?
Apesar de não gostar muito do termo inspiração, no que ao ato criativo diz rspeito, direi que é um bem necessário. A palavra é uma ferramenta agitadora de consciências. Não devia fazer parte do ser humano a passividade com que, conhecendo, se ignoram verdadeiros atentados contra o direito à existência como pessoa.
Jornal Os Mirandelenses – Os seus poemas permitem retratar-se na sua máxima plenitude?
Lapidarmente, diria que uma significativa parte deles o permite, sobretudo os que, a eles, consigno o meu pensamento face ao mundo que me rodeia e minha posição face às suas problemáticas, notadamente, as que envolvem qualquer tipo de ferida na dignidade humana.  
Jornal Os Mirandelenses – Como também escreve prosa, onde se sente mais à vontade?
O à vontade vem, sobretudo, do impulso do momento e a forma como o quero exprimir; a par, está a disponibilidade mental e o tempo que, nesse momento, tenho para escrever. Assim, tanto pode surgir um texto em prosa, como em poesia, quando se trata da vontade ou necessidade que tenho de escrever, de verter o meu sentir. O mesmo acontece quando respondo a desafios literários para participar em coletâneas/antologias ou em concursos literários. A prosa exige mais tempo, por isso é que, além de crónicas e textos de opinião, só tenho alguns contos publicados em coautoria.
Jornal Os Mirandelenses - Tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?
Além da escrita em si, queria ter tempo para organizar um outro de poesia, numa linha temática que ficou fora de “Um Cibo de Nós”, uma linha mais ligada aos afetos. Um livro de contos também cabe no meu projeto de escrita. Por estes dias, há outras preocupações. Infelizmente!

sábado, 26 de junho de 2021

(A propósito do tempo imaterial | Ivo em Mirandela | 10 e 13 de junho 21)

 (A propósito do tempo imaterial | Ivo em Mirandela | 10 e 13 de junho)

E ao terceiro dia, renasci! A segunda dose da Moderna (dada no dia 12) fez mossa e o ansiado passeio com o Ivo e a Maria fora adiado. Como precioso é o tempo real, em discurso direto, sem distratores digitais, apenas as vozes e as circunstâncias naturais, todos os passos se fizeram em vagares fluidos, como águas mansas e correntes, não fosse o nosso Tua reclamar de desatenção, imprópria aos seus nativos.

Pretexto o passeio, o texto escreve-se sem guião, com o improviso da inocência - Avó, quando calças estas sandálias? Por que é que não há lixo (o recipiente) lá em cima? Os peixes não gostam de papel! -, e a diegese provocada em questionamento subtil e deslumbre de intensíssimos momentos.

“Eu acho que é o pai, a mãe e o filho”, disse a propósito da instalação, dedicada à Festa da Geografia. Há seis meses era uma tartaruga.

“Já vejo as luzes da cidade. Aqui não havia tantas.” - passávamos pela Central de Camionagem requalificada.

“Quando estou em Mirandela, é como um sonho na cama”, disse, já no Parque do Império, parando e olhando-me com o sorriso de covinhas iluminado e eu mirando-o, expectante e presa à sua expressividade facial e frásica.

“Olha ali os teus ténis”, notou mal paramos na montra de uma sapataria inundada de sandálias, havendo apenas três pares dos ditos, que raramente uso, relembrando-me quão atento e minucioso é.

“Olha ali os teus fones”, disse a mana, mais adiante, noutra montra., “os meus não têm…(não percebi), “quer dizer, …”, dizia o Ivo em solilóquio, concentrado e atentando nos detalhes.

2

“Ah, quando vieres”(https://www.facebook.com/photo?fbid=4281173311903210&set=a.140114826009100), o poema que escrevera uns dias antes, antecipava já este alumbramento linguístico, esta efervescência de sentir a pessoa a sobrepor-se à criança-que-cresce-fisica e naturalmente.

“Avó, onde estou eu, aqui?”. Era uma foto do meu casamento, a preto e branco, com todos os primos, alguns na casa dos seis, sete anos. “Aqui, não estás”. E tentei explicar, mas nem deu tempo. “Eu tenho de estar aqui, algures…”.

Claro que estás, Ivo! Como podias não estar! O cordão umbilical começou aí!!!

Odete Costa Ferreira 16-06-21 - ©Direitos Reservados


O poema do olhar e do sorriso das covinhas - 4 anos e 5 meses


Só dá por concluída a tarefa quando estiver "perfeitinho", ainda que o tentem apressar


O momento dos desenhos animados


O chão da terra dos avós paternos tem outro sabor!


Há seis meses dizia que era uma tartaruga!


Um dos poucos registos, destes dias, ainda adoentada

(Há seis meses que não privava com o Ivo. Rumaram a sul e a pandemia tem sido castradora de afetos.)

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

ODETE COSTA FERREIRA APRESENTA "UM CIBO DE NÓS"

Apresentação | UM CIBO DE NÓS | Odete Costa Ferreira

  Museu Armindo Teixeira Lopes | Mirandela | 29-02-2020











EVENTO| REPORTAGEM CANAL NTV


EVENTO | VÍDEO | RUI SIMÃO OPERADOR DE CÂMARA E VIDEÓGRAFO 


Como mais vale tarde do que nunca, aqui deixo um registo sobre o dia do lançamento do meu UM CIBO DE NÓS, em 29 de fevereiro, no belíssimo espaço do Museu Armindo Teixeira, Centro Cultural de Mirandela.
A obra, com chancela da Mosaico de Palavras Editora, foi apresentada por Conceição Lima, que a prefaciou, e por Vitor da Rocha, escritor e editor. 
O bonito e emotivo evento abriu com um apontamento musical executado por José Francisco, professor e diretor da ESPROARTE, e pautou-se por uma brilhante apresentação, intercalada por poemas, nas vozes de Isabel Marcolino e Conceição Lima.
O momento de partilha da génese, valor e sentido da obra, pela autora, olhos nos olhos com o vasto e rico público presente - família (o meu netinho Ivo, no final, sentado a meu lado), amigos e amigas, entidades e comunicação social, que muito agradeço - foi um ponto alto do evento, rasgado por sorrisos e cumplicidade poética. 
Assinalo o especial acolhimento da autarquia mirandelense e dos seus colaboradores, na pessoa da sua presidente, Júlia Rodrigues, que, encerrando o evento, não se coibiu de manifestar o apreço pessoal que nos une.
O canal NTV registou, o meu filho, Rui Simão Ferreira, fez a cobertura e produziu o vídeo elucidativo do evento.

Odete Costa Ferreira
Publicado em 13-11-2020
(Quem diria que, quase logo, viria um confinamento e as consequências que, de uma forma ou de outra, tanto afetou, afeta e afetará a vida de todos nós. Este evento será, sempre, uma memória muito bonita para quem a pôde viver, considerando que, tão breve, esta forma de celebração não será possível. Abraço-vos! ) 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Um Cibo de Nós - convite



Amigos e amigas: ainda com menos tempo para o blogue, por motivos sérios, não pessoais, mas que me obrigam ao cumprimento de tarefas extras, quis que soubessem deste projeto pessoal, o lançamento do segundo livro poético, nove anos depois do "Em Suspenso", que tem vindo a ser preparado há algum tempo. Abraço-vos e desejo o melhor para cada um de vós, visitantes deste meu espaço de intimidade e partilha.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Em verde de esperança. Em vermelho de vida.


Não, não sou indiferente aos eventos mundiais e nacionais, na exata medida do meu tempo e interesse que me suscitam. Também às minudências e, sobretudo, às reações inflamadas que leio ou assisto, em direto ou diferido. Dou crédito às análises sustentadas em factos credíveis, apesar do pântano noticioso e pernicioso. Sei que nada é inocente e que há (quase) sempre interesses e aproveitamentos por detrás de ações, ainda que nasçam de gestos espontâneos. É época do vídeo viral, do voyeurismo mediático e de palcos mirabolantes para diletantismos bacocos.
E não há sossego. Até o respiro soa desalinhado da sua natural cadência.

E, depois, para que serve este arrazoado, este efémero escrito, perguntará, porventura, quem se interessar na sua leitura.
Clarifico: apetece-me, frequentemente, tomar posição sobre algo mais mediático, sobretudo quando, de ânimo levíssimo, se atenta contra o carácter das pessoas, contra as suas diferenças e quando a indiferença, a roçar o ódio, vem disfarçado numa espécie de opinião e, se feito algo reparo, os ditos venham com aquela frase batida, de ter direito à liberdade de expressão.
Depois, precisamente para dar aso a que o meu respiro se alinhe pelo bom senso, deixo a arena para os digladiadores, sendo que, em muitos, delego o ato de defesa da honra, da minha e de todos os que creem fazer sentido remar em contraciclo, em conceder-nos o tempo de gestos vagarosos pausados em instantes de eternidade. Que fazem o meu sentido, no todo do dizer e do fazer, ramificando-me para o lado de lá, numa ânsia de crescimento que acontece sempre que se desafia a altura dos muros.

Como este meu arbusto: nascido à minha revelia, em terra vaga, glorifica-se, em todo o seu esplendor, apenas do lado de lá. Em verde de esperança. Em vermelho de vida.



Odete Costa Ferreira, texto e foto, em 22-12-19
Direitos reservados

Nota: quem me acompanha sabe das razões deste meu espaço estar cada vez mais minguado, em termos de publicações. A escrita, essa, embora mais esparsa, continua  a ser produzida. Vou tentar passar nas vossas casas, por estes dias. Entretanto, deixo os meus votos de uma excelente quadra natalícia e notícias, em fotos,  do meu Ivo, que fará três anos no dia 2 de janeiro de 2020.





O primeiro trabalho (e presente) do Ivo, desenho e recorte.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Dimash Kudaibergen - SOS d'un terrien en détresse



S.O.S. d'un terrien en détresse
Grégory Lemarchal
Pourquoi je vis, pourquoi, je meurs?
Pourquoi je ris, pourquoi je pleure?
Voici le S.O.S
D'un terrien en détresse
J'ai jamais eu les pieds sur terre
J'aimerais mieux être un oiseau
J'suis mal dans ma peau
J'voudrais voir le monde à l'envers
Si Jamais c'étaix plus 
beau vu d'en haut
D'en haut
J'ai toujours confondu la vie
Avec les bandes dessinées
J'ai comme des envies de métamorphoses
Je sens quelque chose
Qui m'attire
Qui m'attire
Qui m'attire vers le haut
Au grand loto de l'univers
J'ai pas tiré l'bon numéro
J'suis mal dans ma peau
J'ai pas envie d'être un robot
Métro boulot dodo
Pourquoi je…

(Descobri-o há pouco. Pesquisei, pesquiso. Ouvi e ouço-o, incansavelmente. Partilho convosco este meu deslumbramento.)

segunda-feira, 24 de junho de 2019

PalavrArte - Festival Literário de Mirandela


Hei de falar do PalavrArte. Assim escrevi numa das minhas últimas publicações, no FB, sobre o Festival Literário de Mirandela, que decorreu de 04 a 09 de junho, no Parque do Império, sala de visitas por excelência da Princesa do Tua, promovido e organizado pelo Município de Mirandela.
Não se trata de um obrigação, antes de uma motivação intrínseca de quem, além de apontadora de palavras, sente um enorme orgulho da sua cidade-jardim e, sobretudo, das gentes que ousam ficar lutando pela dignidade de um interior, tão belo quanto desafiante, no quadro do futuro destes locais.
PalavrArte: a Palavra na Arte ou a Arte da Palavra; a palavra que se apalavra consigo mesma, que se compromete com o outro no estreitamento de laços entre as pessoas e na ação impulsionadora de bem-estar. E foi, antes de mais, a significância de cada atividade do diversificado cartaz do PalavrArte, que importa pautar este apontamento.
Balanceado pelos valores locais e nacionais, pela génese do conceito, traduzido no nome que se pretende alavancar, pela satisfação de diferentes apetites artísticos, pela importância concedida aos livros, através da Feira do Livro em permanência e, ainda, pela aposta na palavra dita e escrita de autores que palpam a alma transmontana, o PalavrArte, festival literário, foi um evento congregador, um alimento cultural, uma vivência de partilhas, uma consciência social, uma ronda de humanos gestos. O sorriso do nosso contentamento!
Princesa do Tua, Mirandela, afirma-se, assim, não como município que aposta na cultura (chavão que não aprecio especialmente), mas como município que aposta nas pessoas que precisam (e consomem) bens culturais. Eu, cujo blogue contém um erro ortográfico propositado, assumo esta visão, a da audácia, a da contra corrente, a da aposta em nichos de mercado fora do dito mainstream. Não se pode tomar como princípio único que as pessoas só veem o brilho de eventos-fogo-de-artifício. Há muitas em que o fogo-de-artifício estoira cá dentro. Invisivel e demoradamente.
Parabéns, Município de Mirandela. Parabéns a Nós, que somos PalavrArte! 
Odete Costa Ferreira, 20-06-2019
Devido a inúmeras tarefas e compromissos, só agora pude colocar as minhas palavras nas palavras do PalavrArte. Na impossibilidade de partilhar fotos representativas e vídeos de cada um dos momentos do festival literário, deixo apenas alguns links.

Programação diária e fotos de todas as sessões - Página do PalavrArte - Festival Literário de Mirandela 
https://www.facebook.com/palavrarte.mirandela/
Também na página da Academia de Letras de Trás-os-Montes
https://www.facebook.com/altmontes
E na minha página
https://www.facebook.com/odete.ferreira.50

Reportagens 
04-06 - Jimmy P - https://www.facebook.com/braganca.localvisao/videos/511970976046470/UzpfSTEwMDAwMDMxNzUwOTY0ODoyNDM3MzQ5OTc5NjE4ODk1/
07-06 - Mário Augusto
https://www.facebook.com/braganca.localvisao/videos/390067751607454/UzpfSTEwMDAwMDMxNzUwOTY0ODoyNDMxODc0NzUzNDk5NzUx/
08-06 - Encontro/Debate Autores/Escritores Transmontanos
https://www.facebook.com/braganca.localvisao/videos/319669145615982/UzpfSTEwMDAwMDMxNzUwOTY0ODoyNDMyMDM2OTIwMTUwMjAx/
08-06 - 22:30 - Cabaresque Divine
https://www.facebook.com/braganca.localvisao/videos/311220266422352/UzpfSTEwMDAwMDMxNzUwOTY0ODoyNDM3MzYxOTAyOTUxMDM2/
09-06- 15H - Hernâni Carvalho
https://www.facebook.com/braganca.localvisao/videos/2390093841273845/UzpfSTEwMDAwMDMxNzUwOTY0ODoyNDM3MzYyNDQyOTUwOTgy/
09-06 - 18H - Pedro Lamares
https://www.facebook.com/braganca.localvisao/videos/580597932467353/UzpfSTEwMDAwMDMxNzUwOTY0ODoyNDM3MzYzMjU5NjE3NTY3/
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Por onde tenho andado...
http://altm-academiadeletrasdetrasosmontes.blogspot.com/

Um abraço a quem (ainda) tiver a paciência e amabilidade de passar por aqui.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Das rosas e da Paixão



Não são as rosas as flores da Paixão,
nem a sua cor é delas natural.
Abrem sorrisos e caminhos de amor.
Carrega volúpia, o perfume,
nos dedos que afagam pétalas
ou as desfolham em leitos brancos.
Coincide o seu esplendor com o tempo
da Paixão - a do Senhor dos Passos,
os passos da dolorosa subida…

Que digo eu das rosas, sacrílega?
Apenas esquissos, olhares de soslaio,
ignorando a base. E as hastes! E os espinhos!
A metáfora redonda
- não há rosas sem espinhos -
Os espinhos que Ele levava.
O sangue de vida - eterna -
O sentido do tempo da paixão…

Mas volto às minhas rosas.
E ao arco que as suporta.
E apreendo todo o tempo
- o da passagem -
e o da memória de todo o tempo-vida.

Odete Costa Ferreira 17-04-19
Direitos Reservados
Foto de Odete Costa Ferreira.


Agradeço, enternecida,  as visitas e o carinho manifestado nos comentários, que fazem o favor de deixar, apesar de não os poder retribuir por motivos ligados, essencialmente, ao cumprimento de funções na direção da Academia de Letras de Trás-os-Montes, como bem sabe quem que acompanha há algum tempo. Abraço-vos. 

sexta-feira, 8 de março de 2019





E todos os beijos que te pertencem

No centro, o arranjo floral.
E os teus gestos desprendidos
das horas longas do preparo,
só para veres os olhos dos convivas presos
naquele imenso sorriso de todo-o-terreno.

Nem sempre é assim.
Por vezes, não chegam os convivas,
apesar dos acenos pousados nas tuas pestanas
e das palavras que reinventas na linguística silenciosa,
entre a profusão dos deveres que te assacam.

Outras, não veem a beleza de cada flor e da cada pétala.
Nem a terra onde as raízes arquitetam as suas obras.
Que, mesmo não sendo primas, são arte que sustenta
cada madrugada, cada entardecer, cada mar, em teus olhos
e em toda a pele que te cobre exultante de cheiros e saberes.

Arranjo floral. E todos os beijos que te pertencem.

Odete Costa Ferreira, 06-03-19
Direitos Reservados
Arte de Di Cavalcanti

domingo, 17 de fevereiro de 2019




Mais um

Correm-me os dias como o sangue nas veias. Arrumo tarefas como se fossem atalhos de acesso ao cérebro e não há tempo para que o pensamento se conspurque com juízos menos valorativos sobre atitudes de outrem. Tenho, por princípio, a reserva ética e a profunda convicção de que não vale a pena, sobretudo quando o tempo apenas se subtrai. E urge fazer a equação da quantidade-qualidade-produto final. E, assim, adiciono ativos imateriais que não consubstanciarei em legado, apenas o induzo em quem me observa, vendo-me nos atos.
E chega mais um. A década já presenciou três. Releio o texto de então (16-02-2016 -http://portate-mal.blogspot.com/2016/02/entre-quem-e.html) para não cometer infidelidade, por omissão, à união de facto que celebrei no texto de então. Respiro, aliviada. Prometo(-me) confiar. Permito(-me) o poético e o prosaico, sendo que, num e noutro, o sublime é igualmente válido. E o choro e o riso são passos do mesmo caminho.

Odete Costa Ferreira, 16-02-2019
Publicado em 17-02-2019

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Daqui a nada…





Daqui a nada, a instantes mesmo, dada a pequenez da existência, dobra-se o ano, de forma perfeitamente objetiva sem qualquer interferência, nem mesmo a do senhor tempo, pois que este é, em simultâneo, dono e servo. E nós, apenas servos. É certo que temos o nosso momento de brilho: os rituais, os fogachos e outros artefactos. A futilidade útil, o brinde com espuma e sorriso. Mas apenas isto!

Neste postulado assenta a minha natural rejeição para fazer balanços, no que à postura e assunção de caminhos diz respeito. A conjugação das circunstâncias, dos espaços e das emoções, ditam-me o balanço necessário, em cada momento, ao longo dos dias do ano. As contas, essas, fazem-nas por nós; são números plasmados no deve e haver das folhas de excel, do extrato bancário ou simplesmente (e infelizmente) na troca direta entre as necessidades. Resta-nos a conta que temos connosco próprios: a de, em cada segmento temporal, extrairmos o saldo positivo de cada transação.
Assim sendo, com mais ou menos fogachos, que o sorriso se sobreponha ao choro e que o respeito pelo outro esteja na ordem do(s) dia(s)!

Odete Costa Ferreira, 30-12-2018
Direitos Reservados
Arte de Graça Morais, “O Segredo II”, 2008 (pintora nascida no concelho vizinho, Vila Flor, em Freixiel.) 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

És tu que me anuncias o natal




És tu que me anuncias o natal,
ainda que as palavras me cheguem
mais curvas e empalidecidas.
Talvez até medrosas. Se lá chegar;
Vêm cá este ano?
Não sei se as perguntas são mesmo perguntas,
que as respostas são cada vez mais incertas.
Mas, certo, certo, é o natal, mãe!
E as rabanadas que ainda fazes
bem molhadinhas em chá preto.
E somos dezembro, o mês inteiro.
Cordão umbilical que não se corta,
apenas se molda aos dias
em que és mais mãe e eu mais filha.
Por vezes, ausento-me e narro-te
em folhas que nascem de árvores.
Prefiro as outonais, caem mas são natal:
anunciação, advento, nascimento.
E somos gestação e parto. E dor,
quando os olhos não abrem sorrisos.
Nem ouso falar-te da orfandade fora de portas.
Dessa ainda posso cuidar. Mais tarde, quando vir
que o beijo te adormeceu o cansaço dos dias mais escuros.

Odete Costa Ferreira, 05-12-2018
Direitos Reservados
Arte de Christian Chloe

Com carinho, desejo aos meus amigos da blogosfera, uma excelente quadra natalícia.

(Aproveito também para, no meu espaço, divulgar o Prémio Literário da Lusofonia Prof. Doutor Adriano Moreira, deixando o link do regulamento, podendo ser este solicitado para o mail da Academia - http://altm-academiadeletrasdetrasosmontes.blogspot.com/2018/11/regulamento.html)

sábado, 27 de outubro de 2018



Voragem

Na aquiescência da voragem dos púlpitos,
perdem-se as horas quietas nas varandas
da secagem dos frutos.
Parece desnecessária a mastigação
dos entardeceres acompanhados de copos de três,

não os reconheço, não lhes tomei o corpo,
mas sei deles porque a afeição telúrica
das gentes da minha memória
honravam os pretextos para o escancaramento das portas.
E as pedras dos muros eram testemunhas
da veemência das falas e dos braços roliços,

a segurar mundos. Mundos em que o silêncio
era pesado apenas fora deles.
Dentro, os ecos eram sinais de vida,
púlpitos autênticos sem fake news.
Com rostos abertos a olhares viris, sem medo,

e as crendices, que habitavam os gestos,
uniam as almas crentes.
Neste tempo, de redes com cantos de sereia,
asfixiam-se peixes. Sobretudo,
os que teimam em manter as guelras limpas.

Odete Costa Ferreira, 27-10-18
Direitos Reservados
Obra de Rosi Costa

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Notícias d´Aqui

Não me defraudou o tradicional espectáculo piromusical levado a cabo no dia 10 de agosto, pelas 23 horas, impossibilitado que esteve (e bem) de abrilhantar as festas da cidade e de N. Sra do Amparo, no dia 4 de agosto, devido ao alerta vermelho emitido pela Autoridade Nacional de Proteção Civil para o território nacional. Superou, mesmo, as minhas expectativas, quer pela espectacularidade, quer pela fantástica moldura humana que se assenhoriou, literalmente, de todos os espaços da zona ribeirinha. Se dúvidas houvesse quanto à decisão de honrar o compromisso com a empresa contratada e de não privar os mirandelenses e todos os forasteiros deste evento, a presença massiva de pessoas na cidade sufragou-a, de forma expressiva.
Habituada que estou aos fantásticos eventos de fogo de artifício na minha cidade, já não é fácil surpreender-me. Aconteceu, contudo, este ano. Arrepiei-me em muitos momentos, sobretudo quando senti uma total sintonia entre a música e a coreografia do fogo, transportando-me a um patamar quase divino. Vendo, no dia seguinte, o direto que o canal NTv fez, a partir do Hotel D. Dinis, percebi esta sensação. O empresário apelidou e espetáculo de "Divinus". Pois bem, conseguiu-o! E, ao meu espanto sentido, acresceu o respeito pelas pessoas que sabem fazer bem.
Mas tive outros espantos, digamos, mais viscerais. Perante a excepcionalidade verificada sobre a localização do luna parque na zona verde,  confesso que a aspereza manifestada contra os vários decisores envolvidos, sobretudo contra a atual autarquia, por muitas pessoas que sabiam, de antemão, que o assunto seria fraturante, me tirou do sério. Aliás, sempre que se efetua uma requalificação na zona ribeirinha e, atualmente no espaço envolvente do santuário, a localização das diversões transforma-se numa bola de pingue-pongue. Diria mais: parece haver uma embirração, quase genética, contra estes equipamentos que fazem parte intrínseca das festas da cidade. São tão nobres quanto outros equipamentos e conteúdos festivos. Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal. Requalifique-se, mas (re)pense-se o espaço público, as pessoas e a sua satisfação!
E que satisfeita me senti na revisitação das diversões! O Ivo teve a sua primeira experiência de condução nos carrinhos; eu e a mana, apossamo-nos de uns cavalinhos, no carrossel, onde se pavoneava um cobrador de rabo-de-cavalo postiço e chapéu à cowboy! Não escrevi um poema, pois há poemas que não consigo escrever. Basta vivê-los!
Tal como a famosa e peculiar noite dos bombos, evento que se constitui romaria de afetos, de sorrisos, de abraços, unindo os mirandelenses, independentemente de qualquer credo e condição humana.
O tempo avança, inexorável e não é curial apressá-lo, mas não deixo de me conceder um brilhozinho nos olhos ao pensar que, em breve, o meu Ivo fará parte desta história.

Odete Costa Ferreira,  14-08-2018



Ivo, 19 meses, na terra do pai e avós

Fotos do fogo de artifício : Hugo Reis

(Após um curto período de férias, penso regularizar as minhas visitas aos blogues)