segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Ardem-me os olhos

Foto retirada do google

Ardem-me os olhos,
na pira demoníaca crepitam,
corvos putrefactos crocitam
as dores da terra ardida.
Línguas de fogo engolem
feridas em carne viva.
Sacrifício de cordeiros mansos,
imolação terrorista…

Negra, tão negra, esta crueza enegrecida!

Por muito tempo inertes ficarão os braços
e os passos não farão caminho.
Os verdes, ao Homem, serão escassos.
Estranho, como o vil, em ti, alimenta seu ninho.

Por muito tempo se exaltarão as vozes
e os poderes, raivosos, deverão ser açaimados.
Será a mãe nossa que pedirá algozes,
antes que todos os filhos nasçam estropiados. 

OF (Odete Ferreira) – 12-08-16 

22 comentários:

  1. Um bom e forte poema, que lança um grito contra uma humanidade cada vez mais desumanizada, Parabéns

    Convite a seguir : http://algibeirasfuradas.blogspot.pt/

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  2. Um poema muito inquietante, Odete. O ser humano desaprendeu de amar a natureza e o seu semelhante. O preço a pagar será muito alto.
    Uma boa semana.
    Beijos.

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  3. Não há nada mais triste, do que presenciar a nossa terra queimada.
    É urgente sacudir e abalar responsáveis.
    Excelente e oportuno poema...
    Beijinho, Odete.
    ~~~~~~~~

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  4. O fogo purifica mas assim não

    Bjs

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  5. Excelente e espero bem que não seja profético, minha amiga.

    Abraço enorme

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  6. Um poema que é um grito de alerta, para a humanidade. Oxalá ela acorde a tempo.
    Um abraço

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  7. Lindo amiga Odete...Vou partilhar, como sempre...Beijinho

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  8. bravoooooooooooooo

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  9. crimes de lesa-Mátria. impunes

    belo teu poema.

    beijo

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  10. Digno de ser lido, por quem não respeita a nossa natureza,o nosso planeta nem os nossos bombeiros,e não vê que a cor cinza, em que fica a nossa floresta é tão triste...Daqui a quantos anos vamos ter o lindo verde das nossas matas e as árvores, para que as nossas aves se aninhem nelas? Vou partilhar como reflexão.Parabéns um beijo

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  11. São realmente "dores da terra ardida" as que sentimos. E em comunhão com a terra, as árvores, as plantas, os bichos que nela se aninham, choramos o paraíso perdido.Saibamos nós ter força suficiente para fazer tudo renascer, assim Deus nos ajude, bem como o governo dos homens.

    Beijinhos

    Olinda

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  12. Venho pela "mão" da Majo e chego a este poema, logo hoje em que, sem qualquer poesia, ainda ardem terras não muito longe de mim.

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  13. Os meus olhos partilham o mesmo ardor.
    Já agradeci à Majo a partilha deste seu espaço.

    Um beijinho

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  14. Odete,
    Os incêndios, para lá da acção terrorista, parecem querer consignar-se ao nosso interior, com a ajuda, perfeitamente dispensável, do aquecimento global. E dói, oh se dói!
    É sempre um prazer ler-te.

    Um beijinho :)

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  15. Odete,
    Majo me fez ler seu blog! Excelente poemas! Verdades explícitas a muitos de nós! Parabenizo-a e passo a ser seguidora de suas produções!
    Abraço.
    https://celiarangel.blogspot.com.br

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  16. Um belo (mais um dos teus...) poema que toca profundo na
    nossa sensibilidade de dor, diante dos gestos tão desumanos
    de humanas criaturas sem alma, a queimar a natureza que é
    a fonte da respiração divina que nos alimenta.
    Bjos, querida amiga.

    Ps: Adorei os teus comentários, o da crônica,
    eu desejava ler o teu olhar, grata!...

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  17. Aplaudo, seu poema delata a miséria, o egoísmo, a desgraça em que vive humanidade, olhando e interessando-se apenas do que pode tirar para beneficiar-se.

    bjs! (já sou sua seguidora, estou na página de dentro.

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  18. Forte e belo seu poema . Gostei demais . Obrigada da partilha . Beijos

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  19. Terra que fica na cor de carvão,
    Escura na noite, negra de fumo,
    Pede um esforço e torna ilusão...
    E, vertical,só o fio de prumo.



    Beijo
    SOL

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  20. Parece que regresso sem ter partido e, ao chegar ao teu cantinho, li um poema que me arde. Parabéns, Odete.
    O tempo amainou e, com ele, o Outono para refrescar a palavra.
    Grande abraço.

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