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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Roupa enamorada


Estou enamorada
de roupa lavada
saída da máquina de lavar.
Vestiram corpos
perfumados.
Ficou bem ventilada
e pronta a usar…
Novamente perfumada
atrairá olhares
enviesados,
discretos,
quando se passear
na rua movimentada.
Ou na noite,
projectando
na sua sombra
um lânguido andar…
Simples ou mais ousada
farão parte de um eu
risonho, em dias festivos,
despida, em momentos efusivos…
Então suada
e enxovalhada
será novamente lavada
em água delicada.
Bem cheirosa
e acetinada,
em armário guardada,
esperará outra ocasião,
acantonada,
em mente de ilusão!

E neste vaivém quotidiano,
ocupo parte de mim…
Outra, enreda-se em sonho,
que me leva e amarra
com leves fitas de cetim…

OF 15-04-2011
http://worldartfriends.com/pt/club/poesia/roupa-enamorada 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ainda a propósito da entrevista no site da editora...


 Uma nova semana. Uma manhã em que quero acabar de passar para o formato digital alguns textos, por sinal escritos há bastante tempo...Ouço apenas o chilrear dos passarinhos e o ruído peculiar do tráfego automobilístico na estrada. Até a máquina que inicia a construção de uma casa muito perto se calou. Estou no meu silêncio, inaudível em palavras, gritante , no pensamento. Há pouco dei por mim a pensar "há de certeza pessoas que gostariam de me ouvir, tenho pessoas a quem gostaria de falar", contudo cada um permanece no seu canto, no seu espaço de conforto, como ouvi no seminário de sábado sobre "Coaching"...
Domingo: consegui ler as últimas entrevistas e alguns poemas, deixando singelos testemunhos, no site da minha editora. A minha entrevista http://worldartfriends.com/pt/entrevistas/entrevistada-do-m%C3%AAs-de-agosto-de-2011-odete-ferreira , já foi lida por mais de 600 pessoas. Apreciei. 
O entrevistado do mês de Outubro, assim como a de Setembro, merecem ser lidos tanto ou mais do que eu http://worldartfriends.com/pt/entrevistas/entrevista-do-m%C3%AAs-de-outubro-de-2011-ricardo-rodeia .
Ninguém me encomendou o sermão, como costuma dizer-se, mas sei que sou um espírito "Coach". Por isso, aqui fica a divulgação.

Adenda: estava a terminar este post, quando o meu filho, numa curtíssima paragem, me vem dar um beijinho e apresentar as colegas da equipa: esperam-nos alguns quilómetros de estrada até Miranda do Douro. Vão fazer o trabalho de pesquisa. Depois as filmagens. Em breve haverá um novo programa na RTP, de reportagem, sobre aldeias de Portugal. Nos  últimos dias sorri muito pouco, também ainda não sorrio, mas a crença que me é inerente (ah e o horóscopo - deixem-me introduzir uma nota de humor) vai fazer ressaltar o meu "EU"...
Odete Ferreira

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Apenas as palavras necessárias

Soube ontem. Ontem, apenas. Ficará sempre a mágoa de o saber tardiamente. Não te pude ver antes de partires. Não te pude olhar, depois de partires. Não te pude acompanhar até à tua última morada. Foi um choque. Atentaste contra a tua vida. Ficará sempre um porquê a martelar quem te amava e estimava como colega e amigo. Um ser doce, atento, preocupado, gentil, grato. De uma gratidão que manifestavas por palavras mas que eu sentia muito para lá delas. As crianças, os jovens, uniam-nos no trabalho. Quanto do teu ser adivinhava quando me contactavas para que as suas problemáticas ficassem resolvidas…
Há alguns anos que te conhecia, desde que leccionaste na minha escola. Cruzámo-nos algumas vezes noutro espaço de lazer. Parecias bem, entre amigos/as. Parecias… Como somos bons em camuflar dolorosos sentires vivencionais!
Ninguém percebeu os teus sinais de alerta. Segundo Daniel Sampaio, há-os sempre. Perdoa a nossa cegueira, amigo E.
Deixo o abraço que não pude dar-te…
Odete Ferreira - 13-09-2011

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Reciclagem

 

Alargando o olhar, prolongando um corpo de plasticidade inventado, abarco um horizonte de memórias colectivas, particularizadas em segredos depositados nas folhas que caem, nas flores que os acolhem, nas aves que os transportam para os mais recônditos lugares estejam eles solidificados ou liquefeitos. Depois, em anjo transformada, reciclo os mais pungentes, dando-lhes a forma vivificante da fantasia.

Odete Ferreira – 06-09-2011

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sinto a vida, assim!

Sinto a vida percepcionando a de outros, balbuciadas em palavras inaudíveis, captadas em aromas transportadas na brisa do tempo... 
Odete Ferreira-04-09-11

quarta-feira, 22 de junho de 2011

De cara airosa e lavada

Passarinhos esvoaçando,
leituras que perpassam em memória
mães puxando o carrinho
de seus bebés, com carinho.

Rosas engatinhadas
em oliveiras pequeninas
tudo são miminhos
em tarde quente
a cheirar a Verão.

Aprisiono a sensação
de um sentimento diferente
num coração ardente.

Expectativas sentidas
transformadas em hino
construído na mente
inventado a quente…
Esfriado, não se sente.

Morna, assim devo estar
como bolo a desenformar.
Quero-me apetitosa…
Levanto-me, caminho devagar,
componho a saia airosa…
O espaço até ao carro é recto,
retrocedo.
Abeiro-me da oliveira
que se agita, vaidosa.
Segredo-lhe:
fica-te tão bem esse vestido
de folhas estreitas
talhado
de azeitonas pregueado.
Lá mais para diante
ficarão pretas
e em viscoso óleo transformadas.
Tua beleza será emprestada
a rostos ressequidos
de pele já enrugada.

Verás como farás
milagres interiores
em gente mais amada!

Entretanto chego a casa
e besunto a cara lavada!

OF 10-05-2011 

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Vida em escada


Sorriso disforme.
Olhar impregnado
em álcool mergulhado
de embriaguez
em que te vês,
em que te vejo,
mais do que desejo.
No discorrer dos dias
que desperdiças…
Pura insensatez!

Não estou bem comigo
dizes, em desculpa,
iludindo uma culpa
apenas tua.

Estendo a mão,
símbolo de união…
Rejeitas essa fusão,
afastas um coração
que doa e perdoa…
Encolho os ombros…
Sinal de indiferença,
aparente…

Projecto todo o meu ser
no horizonte
do meu eterno querer..
Sonhador, diferente,
presente
em qualquer pedaço
de terra, ar, água.
Elementos companheiros
de passos minguados,
atrasados, na meta marcada
na estrada.

Ignoro-a…
Prefiro uma escada
onde possa ficar,
amparada…
Observando, atenta,
a jogada,
alta, que é a vida…
 
OF 04-03-2011 

terça-feira, 31 de maio de 2011

No meu ser, no meu estar

Não quero um poema de raiva
hesitei em escrever.
Não fui capaz!
Talvez me acalme
há que ser audaz
deixar as palavras escorrer…

A seiva que se solte
e dissolva em riachos
de água turva
tumultuosos
em dias de tempestade
calmos, doces
em dias de paz…

As bocas fechadas
os rostos sisudos
os barulhos estrondosos
os olhares orgulhosos
as pessoas infelizes
as almas penadas…

Ou eu…
O meu ser, o meu estar
o meu pulsar
de dias violentos…
A postura enraivecida
 que não deixa descansar.

Ah! Os olhos fechar
a alma adormecida
o sonho de paisagens coloridas…

Tudo tão distante…
A vida num instante
-REVOLVIDA-
No meu ser, no meu estar…
 
OF 26-05-2011

(O poema completo; afinal só faltavam 26 versos...)

domingo, 3 de abril de 2011

Puro exercício mental (acróstico)

Num comentário ao último acróstico postado, o Sr. Oops!!!, entendendo ser difícil exercitar a mente em tal poeticidade, “desafiava-me”, implicitamente, para um acróstico com as iniciais de uma palavra (?), com precisamente 45 letras!!! Claro que me atirei ao desafio, de imediato. Não o pude postar mais cedo. Eis o resultado, esperando que divirta quem ler, tal como assim me senti ao produzi-lo! :)
 
P ensava
N ão ter
E ngenho e arte!
U m desafio de
M alabarista
O brigou-me a
U m exercício
L ouco,
Totalmente brutal!
R egras
A lteradas
M ais pensadas!
I gnóbil caneta que
O stenta um
R ascunho pálido
O fensivo até!
S acrilégio tal
C ompor um
 AcrÓ stico
ImP ar. 45 letras de
I mbecilidade
C astrada!
Louca…
S empre,
S em recusar
I deias que,
L ibertas,
I luminam
C éus azuis
O vais
V erdes, por vezes.
U ma pálida
L ua,
C lara e brilhante
A ndante
N uma roda
O blíqua.
C ala profundos
O lhares
N egros e pestanudos
I ntensos!
O ferecendo-se
ao S ol adormecido mas ainda
E scondido. Reparo, espreguiça-se…
Salto da cama. Faço o saco. Vou até à praia!
OF 01-04-2011

terça-feira, 29 de março de 2011

Primavera 2


P lanícies alongadas
R ios minguados
I luminados parcamente
M iragens sonhadas
A lmas insufladas
V entos em brisa transformados
E rrantes, procuram outros lugares
R eluzentes de brancuras
A rdentes em fogos fátuos!
OF 26-03-11

sábado, 26 de março de 2011

Primavera 1



Princípio de renasceres
Raramente neles pensamos
Imaginamos fantasias
Mascaradas de poemas
Amanhãs de Primavera
Verdejantes de paixões
Enamorados entardeceres
Riqueza de beijos em anoiteceres
Amantes em lugares dourados
do sol que ficou reflectido
no teu espelho, corpo azulado,
que estrelas, embevecidas
emprestaram, ao teu quarto!

OF 26-03-11

(Quero escrever sobre a Semana da Leitura e de algumas actividades. Como o tempo não estica, deixo este acróstico imperfeito...)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Viajante do mundo


Chegaste cansado,
naturalmente…
Voaste distâncias,
ansiosamente…

Amigos
que não vias
há muitos dias
esperavam-te
braços abertos
sorrisos beijados,
sofregamente.

Separação
temporária
de encontros adiados
e reencontros amigáveis…
Episódios de vida
contados
de olhos velados
por vidas sofridas…
Outras mundos,
povoados,
de gente simples
mas crentes
em melhores dias.

Paisagens de sonho
que adentraste
no teu ser,
sensível,
desse sofrer…

Luas enamoradas,
dos seus reflexos prateados
em cada noite,
no mar, mirados.
Sóis ardentes
de desejos
que nas madrugadas,
nas tardes
ou anoiteceres,
juntam em carinhos
tais seres
em prazeres….
Os corpos suados
de trabalho erotizados
desnudando-se em sonho de mares
…Sonhadores…
De horizontes desejados!

O teu mundo enriqueceu.
O que deixaste, esmoreceu!
Acreditas no ser humano!
Partilhaste o teu sonho.
Deixaste alguma semente
que germinará…
Lá longe, em terra que desbravará!
Em madrugadas
de sol ardente
em montanhas desertas
onde árvores acastanhadas
se tornarão verdes
juntando-se a um mar
verdejante de futuro.

Lá longe,
o amanhã será mais seguro…
E o ser humano
sentir-se-á mais perto de um mundo
sonhado
e em harmonia desejado…

OF 05-03-2011