sábado, 3 de março de 2012

Afinal existe a chave da felicidade

Estacou como se uma seta o tivesse atingido. Atordoado, teve a perceção de se encontrar numa encruzilhada. Real. À outra , a da vida, já estava habituado.
Apalpou a lonjura de cada bifurcação. Acusava algum cansaço. Nem sequer lhe apetecia ponderar que caminho seguir. Talvez a intuição ou o seu deus menor resolvessem servir de muletas e guindá-lo para um deles.
Tal como o Pinóquio, os seus pés tomaram vida e atalhou o caminho mais plano, ladeado de uns verdes semelhantes a heras, por onde despontavam umas florinhas brancas.
Mal retomou a passada larga, sentiu-se estranhamente calmo e leve. Não caminhava. Sim, caminhava, mas como se fora uma dança, avançando e recuando, volteando.
Era todo um ser a açambarcar sensações de plenitude. De deslumbramento. Reviu-se criança, nos mundos fantásticos que desenhava mentalmente e nos quais se sentia protagonista, sempre na defesa da sua menina, prisioneira de um perigo que se moldava conforme o momento.
Ainda hoje é assim. Protetor. Defensor de almas aflitas, esquecendo-se da sua, sempre na encruzilhada da vida.
Sentou-se num amontoado de heras mais espessas, parecendo-lhe um trono… Deve ter adormecido. E sonhado. E vivido a vida que é e a que queria ter.
Prosseguiu. Não soube ao certo quanto tempo ali permanecera. Sentia, intimamente, que descobrira a chave da porta há muito fechada. Renascera. Riu como há muito o não fazia. E o eco soou ao cântico do seu batizado.
Soube, a partir de então, que seria feliz! Provavelmente sempre o soube. Mas detestava estar a sós consigo mesmo!

10 comentários:

  1. Sorvi cada palavra tua.
    Não contive as lágrimas. Sabes porquê.
    Há ficção que impressiona, de tão real que é.
    bji, querida

    (ah...parabéns, musa da escrita!)
    Nina

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  2. Disse impressiona?! Arrepia...
    Mais beijos, amiga.

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  3. Ficcional/real ou real/ficcional. Fronteira ténue, sem dúvida. Mas o toque do fantástico a parecer verosímil, é que atrai, mentalmente, emocionalmente, fisicamente até!

    Gosto que gostes!
    Bjos, mil (princesa do trono das heras, não rias, podias ser tu ...) :)

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  4. :) Podia, sim...mas não sou.:)
    bji, querida
    (mandei e-mail)

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  5. Isto fez-me lembrar o antigamente em que eu era um puto (mais puto...)e a minha televisão era a preto e branco, mas tinha um celofane colorido no ecrã, para dar a ilusão da televisão a cores.

    Anyway, adorei esta série. Vai fazer-nos companhia todas as semanas?

    ;)

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    1. Fiquei ufana! Um texto meu evocar tão puras reminiscências! Pois, acho que ainda usei o dito cujo, mas já não me lembrava :)
      Uma série? É uma ótima ideia, tivesse eu tempo. Decerto reparaste na data. Vou divulgando textos que escrevo conforme os "apetites".
      Anyway, os textos em prosa, que divulguei nos últimos meses, já constituem uma "série". Hum, não estiveste atento :)

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  6. Belo texto...Espectacular....
    Cumprimentos

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    1. Obg pela fruição literária, Fernando Santos!
      Bjinho :)

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  7. Hello,

    you use my copyrighted image "Crossroads after a night of rain" from
    http://www.flickr.com/photos/liebermann/580181284/

    Please credit me as
    "Crossroads" (C) by www.martin-liebermann.de

    Kind regards

    Martin Liebermann
    license@martin-liebermann.de
    www.martin-liebermann.de

    If you want to support my art, take a look at www.zeitspuren.deviantart.com

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  8. Hello: I don´t know, sorry, I took the image from google, so I put "author unknown". Thanks...I take a look for your art...
    (My english is not good...)

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